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Cefaleia: confira guia completo sobre o assunto!

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Se tem algo que consegue atrapalhar bastante nosso dia a dia é a dor de cabeça, um problema de saúde comum entre a população. Conhecida como cefaleia, ela pode ser leve e passar rapidamente ou ser intensa e durar muito tempo.

Será que toda dor de cabeça é enxaqueca? Como diferenciar? Além disso, é recomendado tomar um analgésico quando o incômodo surge? Em quais situações é preciso ficar alerta e procurar o médico especialista? Quais os tratamentos mais indicados?

Para responder essas e outras questões, preparamos um guia completo. Conheça a seguir as causas mais comuns da cefaleia, os tipos existentes e como é feito o diagnóstico. Boa leitura!

Afinal, o que é cefaleia?

Certamente, você já teve episódios de dor de cabeça algumas vezes durante sua vida ou já ouviu algum familiar, colega de trabalho ou amigo se queixar do incômodo. A cefaleia — popularmente conhecida como dor de cabeça — é caracterizada por um quadro doloroso agudo ou crônico que atinge qualquer ponto da cabeça, podendo vir ou não acompanhado de outros sintomas. É possível sentir essa dor também na parte superior do pescoço e na face.

É importante destacar ainda que ela atinge pessoas de todas as idades, de crianças a idosos. Na infância, costuma ter relação com algum distúrbio emocional. A questão é que o problema que, geralmente, não representa um caso grave de saúde, prejudica a qualidade de vida, impossibilitando a pessoa de trabalhar, estudar ou de fazer outras atividades rotineiras.

De acordo com o documento da Sociedade Brasileira de Cefaleia, a dor de cabeça é um sintoma médico bastante frequente, sendo que a prevalência do problema ao longo da vida é bem elevada — atinge 94% dos homens e 99% das mulheres.

Nos ambulatórios, a cefaleia aparece como a terceira causa mais frequente de queixas dos pacientes e, nas unidades de saúde, ela corresponde a 9,3% das consultas não agendadas. É, portanto, um dado que aponta que o incômodo não deve ser negligenciado.

Principais causas da cefaleia

Quais são os gatilhos que ocasionam o incômodo? Acompanhe a seguir alguns fatores que podem desencadear a dor de cabeça:

  • distúrbios de visão;
  • má alimentação;
  • estresse;
  • ansiedade;
  • jejum prolongado;
  • falta de sono;
  • cansaço;
  • calor ou frio excessivo;
  • problemas odontológicos;
  • alterações hormonais;
  • consumo de álcool;
  • traumas cranianos;
  • problemas na região cervical;
  • efeito colateral de alguns medicamentos, como anticoncepcionais;
  • algumas doenças, como gripe, sinusite, rinite, fibromialgia e meningite.

Precisamos ressaltar, entretanto, que há ainda situações em que não é possível definir a causa exata que desencadeia a dor de cabeça.

Quais são os tipos de cefaleia e seus sintomas?

Em primeiro lugar, é preciso saber que as cefaleias são divididas em primárias — quando não surgem a partir de outra condição — e secundárias, quando são decorrentes de um problema de saúde (físico ou mental) ou doença.

As primárias, contudo, são as mais comuns. Abaixo vamos apresentar os tipos de cefaleias primárias e seus principais sintomas!

Enxaqueca

Nem toda dor de cabeça é considerada uma enxaqueca. A enxaqueca ou migrânea é um distúrbio neurovascular caracterizado por uma dor de grau médio ao intenso. Não raro, vem junto de episódios de náuseas, vômitos, tonturas, problemas visuais, perda de apetite, enjoo, irritação ou ainda uma sensibilidade grande ao som e até à luminosidade.

Ocorre na maioria das vezes de forma unilateral, ou seja, acomete um dos lados da cabeça, principalmente a região da testa e têmporas, e costuma ter alta duração — há casos em que a pessoa fica com a dor por até 72 horas. Assim, dependendo de sua duração e intensidade, o distúrbio pode comprometer bastante a vida pessoal e profissional do indivíduo.

É um problema que acomete mais as mulheres, sendo que muitos pacientes registram o episódio pelo menos uma vez ao mês. Tem início, geralmente, na puberdade ou vida adulta. O quadro tende a ser agravado com o uso de contraceptivos orais ou ainda pelo consumo excessivo e contínuo de medicamentos analgésicos.

Causas

As causas da enxaqueca variam bastante de pessoa para pessoa. Há quem tenha uma crise desencadeada pelo consumo de determinados alimentos, outras por sentir o cheiro de algum perfume ou ainda pelo excesso de luz. É causada também por tensão emocional, privação do sono e menstruação.

A enxaqueca se divide ainda em com ou sem aura. A com aura é quando a pessoa, além dos sintomas citados acima, sofre antes de ter a crise com distorções visuais — enxergando pontos brilhantes ou manchas e com perturbações no equilíbrio e na coordenação dos músculos.

Cefaleia tensional

É o tipo de dor de cabeça mais comum, aguda ou crônica e de intensidade moderada. Acontece devido à contração muscular cervical ou do crânio. É caracterizada por dor bilateral, o que quer dizer que atinge ambos os lados, podendo ser na testa, na nuca ou na cabeça toda. A dor tende a começar como uma pequena pressão, mas aumenta de intensidade.

Diferentemente da enxaqueca, a cefaleia tensional não vem acompanhada de outros sintomas e tem uma duração mais curta. Além disso, não piora devido a algum som, cheiro, luminosidade ou movimento da cabeça.

Pode ser desencadeada por uma noite de sono ruim, estresse, problemas emocionais ou até mesmo má postura. É um incômodo tolerado sem chegar a atrapalhar a realização das atividades diárias, no caso de sua manifestação pouco frequente.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cefaleia, essa dor de cabeça é considerada crônica quando ocorre em mais de quinze dias ao mês durante três meses ou mais. Nessa situação, o problema é capaz de afetar o bem-estar e a qualidade de vida das pessoas.

Cefaleia em salvas

É o tipo menos comum de dor de cabeça, sendo caracterizado por uma dor intensa e pulsante, que atinge um dos lados da cabeça, com duração que varia de 15 minutos a três horas. A dor costuma acometer a região das têmporas, face ou ao redor dos olhos.

Geralmente, os episódios ocorrem no mesmo horário, sendo bastante prevalente durante a madrugada e podendo durar vários dias ou até meses. As crises surgem e vão embora repentinamente, o que acorda o indivíduo durante o sono.

A cefaleia em salvas ainda tem outros sintomas envolvidos que acometem o mesmo lado da dor, como:

  • olho vermelho e lacrimejante;
  • inchaço do olho;
  • queda de pálpebra;
  • corrimento e entupimento nasal;
  • rubor facial.

Não existe um gatilho para o problema, como ocorre com a enxaqueca. Pacientes relatam a cefaleia em salvas como uma dor bastante forte, junto a uma sensação de inquietude e agitação. É um tipo de cefaleia mais prevalente entre os homens adultos após os 20 anos.

A causa ainda é desconhecida, mas, acredita-se que tenha origem no hipotálamo e que exista alguma relação com a apneia do sono.

Quais os sinais de alerta da cefaleia?

Quando a dor de cabeça é de fraca intensidade e ocorre com pouca frequência, acaba sendo negligenciada. Afinal, é tida como algo corriqueiro e que passa após o uso de um analgésico — ou quando a pessoa consegue relaxar.

Contudo, é importante que o indivíduo tenha atenção quando a cefaleia é caracterizada por uma dor mais forte e que ocorra por três ou mais dias ao mês.

Muitas vezes, é comum que o incômodo seja associado pela própria pessoa ao estresse, mudanças hormonais por conta do ciclo menstrual ou até mesmo a um dia mais cansativo. Só que a cefaleia pode indicar algum outro problema ou doença, exigindo a avaliação médica e a realização de exames para o correto diagnóstico.

Sinais da cefaleia que merecem atenção

É necessário que o paciente fique alerta caso a cefaleia tenha também como sintomas:

  • febre e rigidez no pescoço, impedindo de encostar o queixo no peito;
  • dor que vem súbita e muito intensa;
  • dores na mandíbula que aparecem na hora da mastigação;
  • dor de cabeça que piora de maneira progressiva;
  • incômodo que persiste mesmo com o uso de analgésicos comuns;
  • alterações na visão;
  • sensação de fraqueza;
  • sonolência;
  • olhos vermelhos;
  • confusão mental;
  • desmaios;
  • perda de peso;
  • perda de coordenação;
  • alteração nos níveis de consciência;
  • dificuldades na fala;
  • convulsões.

Quando a cefaleia ocorre por um período prolongado e é caracterizada por dor forte em pacientes com câncer ou com AIDS também é importante comunicar o médico. Isso porque são pessoas que têm uma baixa imunidade e precisam ter atenção a esse tipo de sintoma.

Quais outras doenças a cefaleia pode indicar?

Como explicamos, a cefaleia pode ser primária, indicando que a própria dor é o problema em si, ou ainda ser indício de alguma doença ou outra condição. Serve de alerta, por exemplo, a uma simples alimentação inadequada. Em certas situações, no entanto, é um indicativo de meningite, daí a necessidade de atenção com esse quadro.

Em casos mais severos, a cefaleia é a porta de identificação de um tumor, aneurisma, hipertensão intracraniana, acidente vascular cerebral (AVC) ou hemorragias no cérebro. Mas ninguém precisa entrar em pânico devido a uma dor de cabeça, porque são raras as vezes que se relacionam a esses problemas de saúde mais graves.

Acompanhe abaixo algumas condições em que a dor de cabeça pode ser um dos sintomas!

Disfunção na ATM

A ATM é a articulação temporomandibular, responsável por ligar o maxilar ao crânio. A disfunção da ATM, conhecida como DTM, aponta que essa articulação não está funcionando adequadamente.

A DTM tem como sintomas cefaleia, dor de ouvido e, em muitos casos, até incômodo no ombro e pescoço. É comum que o paciente tenha um desconforto ao mastigar e também em abrir e fechar a boca.

Nessa situação, quem faz o diagnóstico é o dentista. Acontece que muita gente tem a dor de cabeça causada por essa disfunção, mas não imagina que o tratamento deve ser feito no consultório odontológico. Assim, procura vários médicos, toma medicamentos e não vê alívio.

Bruxismo

Já que estamos falando da relação da cefaleia com problemas odontológicos, não há como não citar o bruxismo. Trata-se de um distúrbio caracterizado pelo forte ranger dos dentes, que ocorre de forma involuntária, geralmente na hora do sono.

É uma condição que acomete adultos e crianças, provocando, além do desgaste dental, dor no maxilar e também dor na cabeça ou face ao acordar — visto que há uma sobrecarga muscular na região. A pessoa também sente um incômodo na hora da mastigação. Vale ressaltar que o bruxismo é causado por vários fatores, principalmente pelo estresse diário.

Problemas de visão

A cefaleia pode ser um indicativo de que a pessoa precisa usar ou modificar o grau de seus óculos ou das lentes de contato. Quem sofre com a hipermetropia, que é a dificuldade de enxergar de perto, acaba forçando os olhos, o que desencadeia a dor de cabeça.

A situação é comum após ficar muito tempo trabalhando em frente ao computador ou depois de ler vários capítulos de um livro. Isso porque a pessoa acaba forçando os olhos para tentar ver com nitidez, o que gera um incômodo.

Dessa maneira, se alguém tem cefaleia e dificuldade de enxergar ou aquela sensação de vista cansada, o melhor mesmo é procurar o oftalmologista.

Agora, se a cefaleia vem acompanhada de olhos vermelhos, dor nos olhos e visão embaçada ou com arcos ao redor de luzes, pode ser um indício de glaucoma — que é o aumento da pressão ocular. É uma doença que precisa ser tratada rapidamente, pois leva à cegueira.

Estresse

Outro ponto que devemos destacar é que a cefaleia pode ser uma resposta a um problema de saúde mental — o estresse. Com a tensão causada pela correria do dia a dia, por exemplo, há a liberação dos hormônios adrenalina e cortisol, que levam a um aumento da frequência cardíaca. Por isso, há dor de cabeça devido à constrição dos vasos sanguíneos no cérebro.

O estresse também deixa os músculos da cabeça e do pescoço mais tensos, o que leva ao incômodo. Nesse caso, a solução para o incômodo está no consultório do psiquiatra, em sessões de psicoterapia ou até mesmo na mudança do estilo de vida.

Hipoglicemia

Há pessoas que, devido à rotina corrida ou por conta de alguma dieta, passam muito tempo sem comer ou se acostumam a pular as refeições. O resultado? Podem ter hipoglicemia, que é a diminuição dos níveis de açúcar no sangue. Nessa situação, há a liberação de adrenalina e a constrição dos vasos sanguíneos no cérebro, o que desencadeia a dor de cabeça.

Desidratação

Ficar muito tempo sem beber água, ou em locais muito quentes, leva à desidratação do corpo, o que também é considerado um sintoma, além da boca seca e da urina amarelada. Isso porque o sangue perde volume e, por consequência, há uma quantidade menor de oxigênio que chega ao cérebro.

Anemia

A anemia, além de gerar fraqueza e tontura, desencadeia também cefaleia. É que não há glóbulos vermelhos suficientes no sangue para fazer o transporte adequado de oxigênio até o cérebro.

Como é feito o diagnóstico?

O médico, clínico geral ou neurologista, vai conversar com o paciente a fim de entender quais sintomas a pessoa está apresentando e também para descobrir seu histórico médico — saber sobre doenças preexistentes, enfermidades na família e até sobre os hábitos e estilo de vida do paciente.

Nessa consulta, o médico investiga as características da dor de cabeça:

  • frequência em que ocorre;
  • duração;
  • qual parte da cabeça dói;
  • intensidade;
  • tipo de dor (latejante ou constante);
  • se o paciente tem outros sintomas;
  • o que desencadeou a dor.

Outro ponto no diagnóstico é descobrir se há fatores de risco para cefaleia, como:

  • se o paciente toma ou parou de tomar algum medicamento;
  • se tem familiares que apresentam quadros de dor de cabeça;
  • se realizou uma punção lombar recentemente;
  • se teve um trauma recente na cabeça.

Além de fazer o exame clínico, podem ser necessários outros procedimentos para um diagnóstico diferencial, o que inclui a realização de:

  • hemograma;
  • eletroencefalograma;
  • ressonância magnética;
  • tomografia computadorizada.

Esses exames servem para avaliar se a cefaleia é decorrente de alguma doença. Nessa consulta, dependendo da avaliação do médico, ele vai encaminhar o paciente a outro especialista, como o oftalmologista, ou outro profissional de saúde, como o dentista.

Quais são as opções de tratamento?

Os tratamentos da cefaleia vão variar bastante. Se a dor é indicativo de outra doença, o paciente vai ser encaminhado para tratar essa enfermidade. Já se a causa do incômodo é o estresse, é necessário procurar ajuda psicoterápica e tentar ter uma rotina mais calma.

Nos casos de problemas odontológicos, o dentista é quem fará o tratamento. Se o paciente sofre de bruxismo, a saída pode ser o uso de placas intraorais na hora de dormir, o que vai evitar o ranger dos dentes e a sobrecarga da musculatura. Com isso, as chances de ter dor de cabeça ficam reduzidas.

Agora, nas situações de cefaleias primárias, o tratamento vai depender do tipo de dor. O importante é ter cuidado com a automedicação — exagerando, por exemplo, no uso de analgésicos comuns —, pois isso piora o quadro em longo prazo. Evite também soluções caseiras ao tratar a dor.

Cefaleia tensional

Para pessoas que têm o tipo mais comum de dor de cabeça esporadicamente, a cefaleia tensional, o alívio ocorre com o uso de analgésicos comuns.

Já em situações crônicas, podem ser necessários outros medicamentos e até mudanças no estilo de vida, evitando situações de muita tensão e estresse, por exemplo. Começar a ter uma alimentação mais saudável, incluir a prática regular de atividade física na rotina e realizar atividades relaxantes — como ioga e meditação — também são aspectos recomendados na prevenção das crises.

Cefaleia em salvas

Nesse caso, o objetivo do tratamento é prevenir o surgimento de novas crises e cortar a dor assim que ela apareça, devido à sua intensidade. O médico receita fármacos que atuam diretamente sobre os receptores da serotonina, que têm uma ação rápida. Outros medicamentos específicos da prevenção da cefaleia em salvas também são receitados.

Enxaqueca

O tratamento pode ser feito com analgésicos, anti-inflamatórios ou com um tipo de medicamento mais específico (classe dos triptanos), que atua no controle da dor. O indicado é que os remédios sejam usados quando a dor ainda é leve, de modo que o resultado seja mais efetivo.

É importante que o paciente também saiba como prevenir as crises. Assim, é recomendado:

  • anotar os possíveis fatores que desencadearam a dor de cabeça, como algum alimento que consumiu, remédio que tomou ou atividade que realizou;
  • ter cuidado com o excesso de analgésicos sem a prescrição médica;
  • evitar situações estressantes ou que gerem ansiedade;
  • realizar sessões de acupuntura.

Quando procurar médico especialista?

Como a dor de cabeça é algo corriqueiro, muitas pessoas ficam em dúvida sobre quando é necessário procurar o especialista, como o neurologista. Afinal, é fundamental receber atendimento médico quando a dor de cabeça:

  • está muito intensa, diferentemente do que o paciente está acostumado;
  • aparece de repente;
  • vem acompanhada de outros sintomas neurológicos, como visão dupla, perda de força etc.;
  • surge com febre alta.

Como aliviar a dor de cabeça?

A dor de cabeça costuma ser bastante incômoda no dia a dia, porém, é possível tomar algumas medidas para aliviá-la sem necessariamente recorrer a medicamentos:

  • ficar em um local escuro e silencioso por alguns minutos;
  • repousar um pouco, procurando relaxar os ombros, nuca e cabeça para diminuir a tensão;
  • colocar uma compressa fria sobre a testa;
  • inspirar e expirar lentamente, pois o exercício respiratório ajuda a relaxar;
  • fazer massagens suaves na cabeça;
  • tomar um banho morno.

A cefaleia se manifesta de diferentes formas, com frequência e duração variadas. Muitas vezes, é só uma queixa esporádica que não chega a trazer prejuízos à vida pessoal e profissional. Contudo, há casos de dor de cabeça, como a enxaqueca, que incomodam bastante, sendo indicado procurar tratamento médico especializado. Outra questão importante é saber que esse desconforto pode ser um alerta para outro problema de saúde.

Gostou de acompanhar nosso guia completo sobre cefaleia e acha que ele será útil para cuidar bem da saúde e da família? Então, confira também quais são as doenças mais comuns no inverno e o que fazer para se prevenir nos meses mais frios!

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