Conheça os 5 principais riscos da automedicação

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Muitos remédios são tomados pelas pessoas indiscriminadamente. Para dor de cabeça, uma dipirona. Para dor muscular, um anti-inflamatório. Você sabia que há riscos da automedicação que podem fazer com que a situação se agrave?

Quando transformado em um hábito, o ato de ingerir medicamentos sem prescrição médica pode prejudicar a saúde, causando intoxicação, melhora falsa dos sintomas e até alergia nos casos em que o indivíduo não tem conhecimento sobre o remédio. Outro fator muito comum é a anulação de uma medicação devido à ingestão de outra.

Saber os riscos da automedicação é de extrema importância. Para isso, selecionamos os principais perigos relacionados a esse hábito. Confira!

1. Lesões irreversíveis e falência de órgãos com o paracetamol

Em casos de febre, o paracetamol é frequentemente utilizado, atuando na redução do envio de mensagens de dor e regulando a temperatura corporal. Ao ser metabolizado pelo fígado, ocorre uma pequena produção de uma substância tóxica conhecida como NAPQI, que geralmente é eliminada rapidamente pelo organismo.

No entanto, às vezes o fígado pode não conseguir dar conta dessa produção. Em adultos, por exemplo, a ingestão a partir de 4g diariamente ou 1g de uma vez só já pode ser prejudicial à saúde. Em crianças, existe ainda mais vulnerabilidade. O resultado do excesso de NAPQI é o risco de lesões irreversíveis e falência do fígado.

O consumo excessivo de paracetamol pode acontecer sem a pessoa perceber. Isso acontece porque existe um desconhecimento de que outras medicações contêm o mesmo princípio ativo. 

Ao tomar um remédio para febre e um para coriza, por exemplo, é preciso verificar a composição de cada produto, pois eles juntos podem conter mais de 1g de paracetamol, apresentando um risco para o fígado.

2. Redução na quantidade de células do sangue com a dipirona

Utilizada principalmente em casos de dor, a dipirona costuma ser carregada nas bolsas e nas mochilas das pessoas para ser tomada quando houver a necessidade. Aparentemente inofensiva, essa medicação também pode prejudicar o bom funcionamento do organismo.

Um dos principais efeitos colaterais provocados pelo consumo indiscriminado da dipirona é a diminuição da quantidade de células do sangue, como plaquetas, glóbulos brancos e vermelhos. 

No caso dos asmáticos, esse remédio é capaz de provocar o choque anafilático, que é uma reação alérgica desencadeada até mesmo em quem já está acostumado a tomar a dipirona.

Além disso, o consumo excessivo dessa medicação ainda pode reduzir a liberação de endorfina. A consequência desse processo é o surgimento da resistência, então o indivíduo passa a tomar uma quantidade ainda maior do remédio, ocorrendo também o mascaramento de problemas que se tornam crônicos — a causa real do sintoma não é descoberta e, muito menos, curada.

3. Efeito rebote com o omeprazol

O omeprazol é um medicamento utilizado para eliminar a produção de suco gástrico, causando um alívio da dor de estômago. Outro uso desse remédio é a prevenção e a cicatrização de lesões na mucosa. No entanto, a sua ingestão por tempo prolongado pode provocar o efeito rebote, em que o organismo passa a liberar mais gastrina para compensar a ausência do ácido clorídrico.

Isso pode ocasionar o excesso de gastrina, e ao parar de tomar o remédio, as crises causadas pelo ácido estomacal pioram — o indivíduo se vê necessitado novamente do omeprazol. 

Além disso, existem outros riscos da automedicação em relação a esse remédio, como o perigo de ocorrerem infecções e dificuldade para absorver nutrientes, podendo causar uma diminuição na quantidade de magnésio no organismo e, consequentemente, aumentando os riscos de problemas no coração.

4. Insuficiência renal e doenças do fígado com anti-inflamatórios

Por serem baratos, capazes de promover o alívio de forma rápida e não necessitarem de receita para comprá-los, os anti-inflamatórios costumam ser utilizados indiscriminadamente. Em muitos casos eles até conseguem amenizar os sintomas e controlar a dor, mas o uso prolongado dificulta a solução real do problema.

Isso acontece porque, ao bloquear a inflamação com o uso exagerado desse medicamento, ocorre um atraso na cicatrização do tecido lesionado. Por isso, o órgão pode demorar mais tempo para voltar a funcionar normalmente.

Além disso, o consumo em excesso e sem prescrição médica do anti-inflamatório pode causar insuficiência renal e doenças do fígado, provocando a necessidade de realização de um transplante hepático nas situações mais graves. Em outros casos, o medicamento é capaz de provocar desconforto no estômago e confusão mental.

5. Choque cardiovascular e insuficiência respiratória com a aspirina

Funcionando no modo três em um, a aspirina pode ser utilizada para casos de dor, febre e inflamação, dependendo da quantidade ingerida. Já o uso incorreto desse medicamento é capaz de provocar alguns problemas, como o excesso de acidez no sangue e a redução drástica da glicose.

Ambos os processos podem resultar no choque cardiovascular e na insuficiência respiratória, que são capazes de causar a morte do indivíduo. Aliás, como reduz o nível de glicose, a mínima dose da aspirina em diabéticos possibilita o surgimento da hipoglicemia, caso esses indivíduos tomem medicamentos para controlar a doença.

É preciso lembrar ainda que a aspirina não deve ser utilizada antes de nenhum procedimento cirúrgico. Quando ocorre uma abertura na pele, as plaquetas se unem para impedir que o sangue escape, mas a aspirina inibe esse processo, possibilitando o surgimento de uma hemorragia.

Outro perigo de tomar esse medicamento de forma incorreta é associá-lo ao álcool ou a anti-inflamatórios. Ao serem misturados, esses elementos podem provocar sangramentos no estômago e nos intestinos, além de úlceras.

Depois de todas essas informações, percebemos que os riscos da automedicação são diversos, variando de acordo com cada remédio e com o uso feito pelo indivíduo. Ao notar sintomas atípicos no organismo, o ideal é consultar um médico e não se medicar por conta própria. Esse profissional é a pessoa mais indicada para avaliar, diagnosticar e tratar cada caso.

Agora que você já sabe mais sobre os riscos da automedicação, que tal conhecer também as doenças respiratórias mais comuns? No inverno, é importante redobrar a atenção e evitar as enfermidades mais frequentes dessa época.

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