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hipoglicemia

Hipoglicemia: confira o guia completo sobre o assunto!

Resumo: Hipoglicemia é a queda dos níveis de glicose no sangue abaixo de 70 mg/dL, causando sintomas como tontura, suor frio, fraqueza e confusão mental. É mais comum em pessoas com diabetes, mas também pode afetar quem não tem a doença. O tratamento imediato é a ingestão de 15 a 20 g de carboidrato de absorção rápida; em casos graves, com perda de consciência, é necessário atendimento de emergência com glicose intravenosa ou glucagon.

O que é hipoglicemia?

Hipoglicemia é a queda dos níveis de glicose (açúcar) no sangue abaixo da faixa considerada normal. Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, o valor normal de glicemia de jejum para adultos fica entre 70 e 99 mg/dL. Quando esse número cai abaixo de 70 mg/dL, já é considerado um nível de alerta para hipoglicemia, e sintomas costumam aparecer, variando de pessoa para pessoa.

Ela não é uma doença em si, mas um sinal de que algo no organismo não está equilibrado, e pode indicar uma condição mais grave por trás. Por isso, merece atenção sempre que aparecer.

Na maioria dos casos, a hipoglicemia surge como efeito colateral do tratamento de diabetes, seja pelo uso de insulina em excesso, seja por medicamentos que estimulam o pâncreas a produzir mais insulina do que o necessário. Em pessoas sem diabetes, o quadro é mais raro, mas tem sido observado com mais frequência em quem passou por cirurgia bariátrica.

Quais são os tipos de hipoglicemia?

Existem duas categorias principais: a hipoglicemia de jejum e a pós-prandial (ou reativa).

Hipoglicemia de jejum

A hipoglicemia de jejum pode ter diferentes causas, como determinados medicamentos, consumo de álcool em excesso, doenças graves do fígado, rins e coração, e devido aos baixos níveis de hormônios — como cortisol, hormônio do crescimento, e adrenalina —, além de tumores. A relação entre a hipoglicemia e doenças graves está no fato de o organismo não conseguir manter níveis adequados de glicose no sangue após um longo período sem alimentação em determinados quadros clínicos.

Em doenças hepáticas avançadas, há a possibilidade de o fígado não conseguir armazenar e produzir uma quantidade suficiente de glicose. No que se refere ao consumo excessivo de álcool, quando as pessoas ficam muito tempo sem se alimentar, o álcool pode bloquear a formação da glicose no fígado.

Hipoglicemia de jejum em diabéticos

Parece até contraditório que pessoas com diabetes apresentem quadro hipoglicêmico, considerando que a doença é diagnosticada em função da glicose alta na corrente sanguínea. Conforme mencionado, a hipoglicemia em diabéticos, geralmente, é decorrente do tratamento para o controle da doença.

Isso acontece porque as pessoas que apresentam essa condição fazem uso de medicamentos com insulina, a fim de ajudar na regulação dos níveis de açúcar. Dessa maneira, a dose ministrada depende sempre da quantidade de carboidrato ingerido no dia.

Se a quantidade de insulina injetada for maior que a necessária, ou se a pessoa não se alimentar corretamente durante as refeições, respeitando a quantidade recomendada na produção de glicose, ela possivelmente desenvolverá hipoglicemia.

Hipoglicemia de jejum em não diabéticos

Mesmo sendo casos mais raros, pessoas que não têm diabetes podem apresentar baixos níveis de açúcar no sangue e desenvolver hipoglicemia em função de outros fatores. Alguns deles são:

  • doenças crônicas no pâncreas e nos rins;
  • consumo de álcool em excesso;
  • uso indevido de medicamentos para diabetes ou remédios com determinados compostos químicos, como a quinina — geralmente, utilizada para tratar a malária;
  • deficiências endócrinas;
  • passar longos períodos sem alimentação, como em casos de anorexia;
  • insulinoma — tumor produtor de insulina no sangue.

Hipoglicemia pós-prandial ou reativa

A hipoglicemia pós-prandial ou reativa é menos comum que a hipoglicemia de jejum. É um distúrbio característico por ocorrer, em média, de três a cinco horas após as refeições, por consequência do desequilíbrio entre os níveis de glicose e insulina no sangue. Pode ser provocada por:

  • cirurgias barátricas, um procedimento que reduz o tamanho do estômago com o objetivo de provocar o emagrecimento, o que faz com que o alimento passe rapidamente para o intestino delgado e libere a insulina antes da absorção de glicose pelo organismo;
  • doenças nos sistemas enzimáticos que controlam a glicose e metabolizam os nutrientes dos alimentos.

Quais as causas da hipoglicemia?

Os medicamentos usados para controlar a diabetes são as principais causas da hipoglicemia. Assim, diabéticos estão mais predispostos a desenvolver esse distúrbio. Por essa razão, é importante sempre medir a glicemia corretamente antes de aplicar a medicação.

Além disso, fazer o controle adequado do índice glicêmico sanguíneo é primordial ao prevenir outras complicações decorrentes do diabetes — como a retinopatia diabética. Os outros motivos de desenvolvimento da hipoglicemia de jejum são:

  • produção excessiva de insulina pelo pâncreas;
  • insuficiência hepática, cardíaca ou renal;
  • excesso de atividade física sem compensação na alimentação;
  • deficiência de hormônios que ajudam a liberar glicogênio;
  • consumo de álcool e tumores pancreáticos.

Já a hipoglicemia pós-prandial é causada após a ingestão de alimentos ricos em açúcar, em que é gerado o desequilíbrio entre os níveis de glicose e insulina no sangue. Esse quadro é mais incidente em pessoas que foram submetidas às cirurgias do estômago e naquelas que estão na fase inicial da resistência à insulina.

sintomas de hipoglicemia

Quais os sintomas de hipoglicemia?

As crises costumam ser súbitas. O organismo primeiro libera adrenalina em resposta à queda de glicose, o que gera sintomas parecidos com uma crise de ansiedade: nervosismo, sudorese, palpitações e tremores. Em seguida, aparecem os sinais mais característicos:

  • Suor excessivo
  • Fome
  • Sonolência
  • Taquicardia e tremores
  • Fraqueza e palidez
  • Visão embaçada
  • Irritabilidade
  • Náuseas e vômitos
  • Dor de cabeça
  • Formigamento nas mãos
  • Dificuldade para falar
  • Confusão mental
  • Alteração no nível de consciência

Os dois últimos sintomas acontecem porque o cérebro recebe menos glicose do que precisa. Em casos graves, a hipoglicemia pode levar a convulsões e coma, exigindo atendimento de emergência imediato.

O que se pode comer para melhorar a hipoglicemia?

Na crise, o indicado é consumir de 15 a 20 g de carboidrato de absorção rápida, como suco de fruta, mel ou açúcar dissolvido em água. Para manter o efeito por mais tempo, o ideal é complementar com um carboidrato de absorção mais lenta, como pão integral, arroz ou batata.

Bebidas e alimentos adoçados artificialmente não ajudam na crise, porque não elevam a glicose real no sangue. Alimentos ricos em proteína também têm efeito limitado nesse momento, já que agem de forma mais lenta. Quem tem diabetes ou já teve episódios de hipoglicemia deve manter sempre por perto uma fonte rápida de carboidrato, e o acompanhamento nutricional individualizado ajuda a ajustar a quantidade ideal para cada rotina.

Hipoglicemia x hiperglicemia: qual a diferença?

A hipoglicemia é a queda do açúcar no sangue; a hiperglicemia é o excesso. Ambas estão ligadas ao equilíbrio entre alimentação, atividade física e uso de medicamentos ou insulina, mas em direções opostas: enquanto a hipoglicemia pode vir de jejum prolongado, exercício em excesso ou insulina em dose alta, a hiperglicemia costuma estar associada a alimentação em excesso, sedentarismo ou falta de medicação.

É normal a glicemia subir um pouco depois das refeições, isso não caracteriza hiperglicemia. O problema é quando os níveis permanecem altos horas depois de comer. Os sintomas mais comuns de hiperglicemia são fome excessiva, dor de cabeça, boca seca e muita sede, vontade frequente de urinar, cansaço extremo, visão embaçada, dificuldade para respirar e sonolência.

hipoglicemia o que é

Quais são os valores de referência da glicemia?

Segundo os critérios atuais da Sociedade Brasileira de Diabetes, os valores de glicemia de jejum para adultos são:

Classificação Glicemia de jejum
Normal 70 a 99 mg/dL
Pré-diabetes 100 a 125 mg/dL
Diabetes 126 mg/dL ou mais (confirmado em nova amostra)
Hipoglicemia (nível de alerta) Abaixo de 70 mg/dL
Hipoglicemia clinicamente significativa Abaixo de 54 mg/dL

Qualquer episódio em que a pessoa precise de ajuda de terceiros para se recuperar, independentemente do valor exato, é classificado como hipoglicemia grave e exige atendimento médico imediato.

Esses valores são referências gerais. Metas de glicemia para quem já tem diabetes são individualizadas pelo médico, considerando idade, tempo de doença e outras condições de saúde.

Como é feito o diagnóstico da hipoglicemia?

Para o diagnóstico de hipoglicemia, é necessário identificar a presença das seguintes condições no paciente examinado:

  • glicemia baixa (abaixo de 55 ml/dl);
  • sintomas característicos do distúrbio;
  • desaparecimento dos sintomas de hipoglicemia após as medidas de tratamento.

Nesse sentido, ao diagnosticar a hipoglicemia, o médico especialista vai considerar:

  • surgimento dos sintomas: para observar e identificar os sinais, o especialista pode solicitar uma internação, a fim de dar um diagnóstico preciso;
  • resultado de exames: é comum que seja solicitado o exame de glicemia em jejum;
  • desaparecimento dos sintomas: após observação médica e a realização de tratamento com o intuito de elevar os níveis de glicose no sangue, espera-se que o paciente responda e os índices de açúcar na corrente sanguínea subam (e que os sinais desapareçam).

Dessa maneira, seguindo todo esse protocolo e identificando os resultados compatíveis com a hipoglicemia, é dado o diagnóstico positivo ao distúrbio.

Quais são os tratamentos disponíveis no mercado?

O tratamento deve ser feito conforme a causa da hipoglicemia. Se a manifestação da condição ocorrer em função de um medicamento, ele deverá ser suspenso ou alterado, ou ter a dose ajustada. Já os tumores devem ser removidos cirurgicamente.

O tratamento imediato durante uma crise de hipoglicemia deve ser feito da mesma forma em todos os casos, independentemente da causa. O recomendado é a ingestão de 15 a 20 gramas de carboidrato simples, como sucos de fruta, doces, mel e até açúcar dissolvido em água.

Se esses alimentos forem digeridos com carboidratos de longa duração, como pães e biscoitos, o efeito será ainda mais rápido. Com o consumo da quantidade indicada desses alimentos, os sintomas da hipoglicemia tendem a melhorar em poucos minutos.

Em casos de hipoglicemia grave, em que não é possível administrar a ingestão oral de açúcar, o médico, provavelmente, injetará glicose via intravenosa para ter uma resposta rápida do paciente e evitar danos cerebrais.

Para quem tem diabetes e está mais propenso a ter crises de hipoglicemia, é interessante fazer uso de tratamentos modernos disponíveis atualmente. Eles oferecem o controle dos níveis de glicose no sangue sustentado ao longo do dia — por até 24 horas — e, assim, ajudam a evitar as crises.

Quando há o alto risco de episódios de hipoglicemia, é possível que o médico responsável prescreva kits de glucagon injetável, que estimulam o fígado a liberar grandes quantidades de glicose. Eles podem ser aplicados por acompanhantes, em casos de emergência.

Quais são as possíveis complicações da hipoglicemia?

O açúcar é a principal fonte de energia do nosso cérebro. Por essa razão, ele é bastante sensível aos baixos níveis de glicose. Quando há uma queda nas taxas de açúcar, ele age buscando evitar que a glicose atinja um índice muito abaixo que o recomendado.

Assim, ele estimula as glândulas adrenais a liberarem adrenalina e cortisol, o pâncreas a liberar glucagon, e a glândula hipófise, por sua vez, a liberar o hormônio do crescimento. São esses hormônios que fazem o fígado secretar glicose no sangue, com o objetivo de acabar com a hipoglicemia.

Contudo, isso pode não ser suficiente. Dessa maneira, o nível de glicose permanece baixo, interferindo no funcionamento do cérebro e de outros órgãos. Sem energia, podem surgir complicações no sistema nervoso, resultando em confusão mental, convulsões e perda de consciência.

Em casos mais graves, caso não haja tratamento, a hipoglicemia pode levar a complicações ainda mais extremas, como coma e até a morte. No que se refere às complicações, é importante entender, ainda, os riscos da hipoglicemia para recém-nascidos e suas implicações na saúde da criança.

A taxa de ocorrência é maior em bebês de risco, mas crianças saudáveis também podem apresentar o quadro logo após o nascimento. Porém, geralmente, trata-se de uma hipoglicemia neonatal de transição assintomática. Quando a hipoglicemia não é contornada, a privação de glicose no sistema nervoso pode gerar sequelas, resultando em deficit no desenvolvimento neurológico.

Quem precisa ter atenção ao aparecimento da hipoglicemia?

O quadro de hipoglicemia pode se desenvolver em mulheres e homens de todas as idades, inclusive, em crianças e jovens. É importante que o paciente busque ajuda médica diante do aparecimento de qualquer sintoma para que seja iniciado o melhor tratamento. Veja em quais grupos a doença é mais comum:

  • pacientes com diabetes;
  • pessoas que praticam atividade física sem uma dieta adequada;
  • pessoas com alterações renais ou no fígado;
  • idosos que usam muitos medicamentos simultaneamente;
  • pacientes com alterações cognitivas ou algum grau de demência;
  • grávidas;
  • operados de bariátrica.

Como conviver com a hipoglicemia no dia a dia?

Levar uma vida normal depois do diagnóstico é possível, com alguns ajustes de rotina:

Não pule refeições. Ficar muito tempo sem comer favorece a queda da glicose; prefira refeições menores e mais frequentes.

Cuidado ao praticar exercícios. Meça a glicemia antes de treinar e avalie se é necessário um carboidrato extra antes da atividade.

Faça uma refeição leve antes de dormir. Ir para a cama em jejum pode causar hipoglicemia noturna, com suor intenso, pesadelos e dor de cabeça ao acordar.

Evite álcool. O fígado prioriza metabolizar o álcool e pode reduzir temporariamente a liberação de glicose para o sangue, aumentando o risco de crise.

Cuidado com a dose de insulina. Doses acima do necessário são uma das causas mais comuns de hipoglicemia; meça sempre a glicemia antes de aplicar.

Use uma identificação. Uma pulseira ou cartão informando que você tem diabetes, faz uso de insulina ou tem alguma alergia agiliza o atendimento em uma emergência.

Redobre a atenção quando estiver doente. Infecções virais podem causar variações bruscas na glicemia; meça com mais frequência, hidrate-se bem e, em caso de vômito ou diarreia persistentes, procure atendimento médico.

Modere o consumo de doces. Picos de glicose seguidos de liberação alta de insulina podem, em algumas pessoas, ser seguidos de queda brusca.

Como prevenir a hipoglicemia?

  • Identifique os primeiros sinais assim que surgirem
  • Monitore a glicemia com regularidade
  • Na hipoglicemia pós-prandial, prefira carboidratos de baixo índice glicêmico e ricos em fibra
  • Faça refeições menores e mais frequentes, evitando longos períodos em jejum

Quando procurar ajuda médica?

Como a hipoglicemia pode indicar um problema de saúde mais sério, qualquer suspeita já é motivo para buscar avaliação médica, mesmo sem confirmação do diagnóstico. Procure atendimento de urgência quando:

  • Os episódios ficarem mais frequentes (crises recorrentes podem mascarar os sintomas de novas quedas, aumentando o risco de hipoglicemia grave)
  • A ingestão de carboidrato não for suficiente para reverter a crise
  • Houver perda de consciência, o que impede o uso de glucagon por via oral e exige atendimento imediato

Perguntas Frequentes

Qual o valor de glicose considerado hipoglicemia? Glicemia abaixo de 70 mg/dL já é considerada um nível de alerta. Abaixo de 54 mg/dL, é classificada como clinicamente significativa. Qualquer episódio que exija ajuda de terceiros para se recuperar é considerado hipoglicemia grave, independentemente do valor exato.

Quem não tem diabetes pode ter hipoglicemia? Sim, embora seja mais raro. Pode acontecer por jejum prolongado, consumo excessivo de álcool, uso indevido de certos medicamentos, alterações hormonais, tumores como o insulinoma ou após cirurgia bariátrica.

O que fazer na hora de uma crise de hipoglicemia? Consumir de 15 a 20 g de carboidrato de absorção rápida, como suco de fruta, mel ou açúcar dissolvido em água, e depois complementar com um carboidrato de absorção mais lenta. Se a pessoa estiver inconsciente, procure atendimento de emergência imediatamente; nesse caso, não ofereça alimentos ou líquidos por via oral.

Hipoglicemia pode ser perigosa? Sim. Quando não tratada, pode evoluir para convulsões, coma e, em casos extremos, risco de morte. Por isso, qualquer suspeita do quadro merece atenção e acompanhamento médico.

Toda queda de glicose depois da refeição é hipoglicemia reativa? Não necessariamente. Pequenas variações são normais. A hipoglicemia pós-prandial é diagnosticada quando há sintomas característicos associados à queda real da glicose, geralmente de 3 a 5 horas após comer, e costuma estar ligada a cirurgias bariátricas ou alterações metabólicas específicas.


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