cardiologia bariátrica cardiologia bariátrica

Qual a importância da cardiologia bariátrica antes e depois do procedimento?

6 minutos para ler

A cirurgia bariátrica se apresenta como uma opção quando já se tentou de tudo para combater a obesidade, mas não obteve sucesso. Muitas vezes, ela é a última cartada e, em alguns casos, pode ser a única solução. Sem dúvida, é um procedimento eficaz, porém, para fazê-lo é indispensável considerar e mapear todos os riscos e cuidados necessários no pré e pós-operatório.

Nesse contexto, a cardiologia bariátrica é extremamente importante para avaliar os diversos riscos que uma intervenção desse porte representa para a saúde do coração. Neste artigo, você saberá por que o acompanhamento cardiológico é relevante para a bariátrica, quais os exames necessários e os perigos envolvidos ao ignorarmos o aval de um cardiologista para a realização da cirurgia. Acompanhe a leitura e entenda! 

O que é e como funciona a cirurgia bariátrica?

A cirurgia bariátrica, popularmente conhecida como redução de estômago, é um procedimento que visa tratar a obesidade mórbida ou grave e, consequentemente, as doenças decorrentes dessa condição, como diabetes e hipertensão. Trata-se de um método mais radical para redução de peso, indicado quando outras alternativas já não funcionam mais e o excesso de gordura corporal configura-se em altos riscos para o paciente. 

A obesidade é hoje um dos principais problemas de saúde que enfrentamos mundialmente — atingindo proporções epidêmicas —, e as taxas de incidência só tendem a crescer nos próximos anos. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a estimativa é de que 700 milhões de pessoas ao redor do mundo sejam diagnosticadas com obesidade em 2025. Não é de se estranhar, portanto, que a necessidade de cirurgias bariátricas seja cada vez mais comum e recorrente. 

Essa intervenção cirúrgica pode ser classificada em três tipos, que se diferenciam conforme as técnicas envolvidas e o mecanismo de funcionamento. Entenda cada um desses tipos a seguir: 

  • restritivo: nesse procedimento, diminui-se a quantidade de alimentos que o estômago é capaz de receber, reduzindo o tamanho e capacidade de armazenamento do órgão, induzindo, assim, a sensação precoce de saciedade;
  • disabsortivo: com essa técnica, há o objetivo de reduzir a capacidade de absorção do intestino, em que o desvio intestinal provoca uma perda de peso mais intensa; 
  • misto: são os procedimentos que envolvem as duas técnicas. É o tipo mais usado no Brasil atualmente, considerado o “padrão ouro” da cirurgia bariátrica. 

Por que fazer acompanhamento cardiológico para esse procedimento?

A realização da cirurgia bariátrica exige uma abordagem multidisciplinar, em que o paciente é avaliado por diversos profissionais, como:

  • cirurgião bariátrico;
  • cardiologista;
  • endocrinologista;
  • nutricionista;
  • fisioterapeuta;
  • psicólogo. 

Nesse sentido, o cardiologista cumpre um papel fundamental, pois avalia as funções cardíacas para a intervenção cirúrgica e monitora o desempenho cardiovascular do paciente desde o pré-operatório até o período de adaptação à nova rotina após a cirurgia.

Como a cirurgia bariátrica é um procedimento que envolve vários riscos, o acompanhamento cardiológico é importante para detectar possíveis complicações — como um ataque cardíaco, por exemplo — e, dessa maneira, estabelecer e determinar condutas para neutralizá-las. 

Como a cardiologia bariátrica é feita?

cardiologia bariátrica

O cardiologista, ao fazer o acompanhamento cardiológico bariátrico, atua, em um primeiro momento, com foco em quatro pontos principais: faz a avaliação das funções cardíacas, solicita exames pré-operatórios, valida a liberação para a intervenção bariátrica e avalia o risco cirúrgico. 

Na avaliação das funções cardíacas, o médico faz uma análise minuciosa para compreender a situação do coração do candidato à cirurgia bariátrica. Além da avaliação clínica, é analisado todo o histórico de saúde do paciente — se apresenta alguma doença cardiovascular decorrente ou não da obesidade, como hipertensão, ou se já sofreu alguma intercorrência no coração, como um infarto agudo do miocárdio, por exemplo.

Nesse momento, ele também solicita exames pré-operatórios para uma análise mais precisa e assim comprovar a saúde cardíaca para a liberação cirúrgica. Mais adiante, você saberá quais são os exames solicitados nessa etapa. 

Por último, é feito o chamado risco cirúrgico, procedimento requisitado para qualquer intervenção cirúrgica, não só para a cirurgia bariátrica. No risco cirúrgico, avaliam-se as chances de o paciente ter complicações cardíacas durante a operação. Dependendo da definição desse risco, são adotadas medidas e tratamentos são recomendados com o intuito de diminuir o risco cirúrgico até que o paciente esteja em melhores condições para passar pelo procedimento. 

Considerando todas essas etapas, é preciso destacar que o acompanhamento cardiológico não termina logo após a cirurgia. O médico continua prestando assistência ao paciente em sua nova rotina no pós-operatório, assegurando, dessa maneira, a sua adaptação e o monitoramento da sua saúde cardíaca após o procedimento. 

Quais os exames cardiológicos são solicitados para a realização da cirurgia?

A fim de avaliar riscos e possíveis intercorrências na cirurgia, é solicitado ao paciente uma bateria de exames pré-operatórios. Afinal, a cirurgia bariátrica é um procedimento extremamente delicado que envolve muitos riscos. Por isso, a saúde do paciente é sempre prioridade. 

Entre os exames cardiológicos requisitados pelo cardiologista, o mais comum é o eletrocardiograma. Além dele, o profissional pode solicitar ainda um teste ergométrico e o MAPA — monitoração ambulatorial da pressão arterial —, em que se observa se há um comportamento anormal da pressão sanguínea. Essa condição pode comprometer as estruturas cardiovasculares.

Quais os riscos de não fazer esse acompanhamento?

Como o coração é um dos órgãos mais importantes do nosso corpo, passar por qualquer procedimento cirúrgico sem o devido acompanhamento cardiológico é bastante arriscado e essa possibilidade sequer deveria ser considerada.

Em uma cirurgia tão delicada como a bariátrica, que por si só demanda um acompanhamento multiprofissional, a cardiologia bariátrica é, portanto, fundamental. Os riscos existem e a falta de supervisão e orientação de um cardiologista pode ser fatal em alguns casos. Com uma assistência médica especializada, os riscos são minimizados, assim como complicações podem ser evitadas. 

Como vimos neste post, a cirurgia bariátrica é uma opção eficaz para o tratamento da obesidade. No entanto, é essencial que haja desde o início do processo um acompanhamento médico eficiente para garantir a segurança e a saúde do paciente. Nesse contexto, a cardiologia bariátrica é uma das especialidades de destaque quando nos referimos à avaliação e monitoramento dos riscos envolvidos na cirurgia.

Achou o tema relevante e quer ter acesso a mais conteúdos como este? Curta a nossa página no Facebook!

Posts relacionados

Deixe um comentário