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Sífilis: o que é, quais são as causas e os tratamentos?

Resumo: A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível (IST) causada pela bactéria Treponema pallidum, com sintomas que mudam conforme a fase da doença (primária, secundária, latente e terciária). É prevenível, tem diagnóstico simples por teste rápido e tratamento com penicilina disponível gratuitamente pelo SUS. Mesmo assim, o Brasil registrou 256.830 casos em 2024. Veja os sintomas de cada fase, como é feito o diagnóstico e o tratamento, e quando procurar ajuda médica.

O que é a sífilis?

A sífilis é uma infecção bacteriana causada pela Treponema pallidum, transmitida principalmente por contato sexual sem preservativo, mas também pelo contato com o sangue de uma pessoa infectada e da mãe para o bebê durante a gestação (sífilis congênita).

A doença muda de comportamento conforme avança: pode ficar latente (sem sintomas) por longos períodos, alternando com fases em que os sintomas aparecem com mais intensidade. É por isso que muita gente convive com a infecção por anos sem saber, o que reforça a importância do teste, especialmente para quem teve relação sexual sem proteção.

A sífilis é uma doença antiga?

Sim. Registros da doença existem desde os primórdios da humanidade, e por muito tempo esteve associada a estigmas ligados à sexualidade, o que ainda hoje afasta muitas pessoas de procurar diagnóstico e tratamento. Até 1940, o tratamento era feito com substâncias como o arsênico, até a descoberta da penicilina revolucionar o controle da doença. Apesar de ser uma infecção antiga, simples de prevenir e curar, ela continua sendo um desafio de saúde pública no mundo todo.

sintomas de sífilis

Sífilis ainda é um problema no Brasil?

Sim. Segundo o Boletim Epidemiológico de Sífilis 2025, do Ministério da Saúde, o Brasil registrou 256.830 casos de sífilis adquirida em 2024, taxa de 120,8 casos por 100 mil habitantes. No mesmo ano, foram 89.724 casos em gestantes e 24.443 casos de sífilis congênita, com 183 óbitos de bebês.

Os dados mais recentes mostram uma leve estabilização, com redução de pouco mais de 2 mil casos nos últimos três anos, mas a transmissão de mãe para filho continua sendo o maior desafio, principalmente nas regiões Sudeste e Nordeste. No mundo, a Organização Mundial da Saúde estima que os casos novos de sífilis em adultos de 15 a 49 anos subiram de 7,1 milhões em 2020 para 8 milhões em 2022.

Quais são as causas da sífilis?

A forma de transmissão mais comum é a relação sexual sem preservativo, o que torna a sífilis uma das ISTs mais frequentes no mundo. A bactéria também pode ser transmitida por transfusão de sangue contaminado ou da gestante para o bebê durante a gravidez, o que caracteriza a sífilis congênita. Nesse caso, o bebê pode nascer prematuro, apresentar malformações ou, em casos graves, não sobreviver.

Quais são os sintomas da sífilis em cada fase?

Os sintomas mudam bastante conforme o estágio da infecção, e é comum que desapareçam sozinhos entre uma fase e outra, mesmo sem tratamento, o que engana muita gente e atrasa o diagnóstico

Sífilis primária

Cerca de três semanas após o contágio, surge uma ferida firme e geralmente indolor na região genital, chamada de cancro duro. Ela costuma desaparecer sozinha em até cinco semanas, mesmo sem tratamento, mas isso não significa cura: a bactéria continua no organismo.

Sífilis secundária

Entre 6 e 8 semanas após a infecção, se não tratada, a bactéria se espalha pelo corpo. Essa fase pode durar até 2 anos e costuma causar:

  • manchas avermelhadas na pele;
  • Descamação da pele e das mucosas
  • Ínguas (linfonodos) pelo corpo
  • Dor de cabeça e dor muscular
  • Dor de garganta
  • Febre moderada e mal-estar
  • Perda de apetite e de peso

Sífilis latente

Depois da fase secundária, a infecção pode ficar sem sintomas por meses ou anos, mesmo continuando ativa no organismo. É nessa fase que o diagnóstico costuma depender apenas do teste, já que não há sinais visíveis.

Sífilis terciária

Pode surgir depois de mais de 2 anos sem tratamento, sendo a fase mais grave da doença. Os sintomas incluem:

  • Lesões grandes na pele, na boca e no nariz
  • Comprometimento de órgãos internos, como coração, rins e pulmão
  • Dor de cabeça intensa e persistente
  • Náuseas e vômitos recorrentes
  • Rigidez no pescoço e na nuca
  • Convulsões
  • Perda auditiva
  • Confusão mental, delírios e perda de memória

Esses sintomas podem aparecer entre 10 e 30 anos depois da infecção inicial. Sem tratamento, a sífilis terciária pode levar a falência de órgãos ou AVC, com risco de morte.

Sífilis congênita

Quando transmitida da mãe para o bebê, a sífilis pode se manifestar nos primeiros dias de vida ou até 2 anos depois do nascimento, causando manchas na pele, irritabilidade, perda de apetite e de peso, pneumonia, anemia, fragilidade óssea e dentária, perda auditiva e comprometimento do desenvolvimento. É por isso que o teste durante o pré-natal é tão importante.

Quais os fatores de risco?

Não existe um “grupo de risco” fixo para a sífilis: existem comportamentos que aumentam a chance de contágio. O principal deles é ter relações sexuais sem preservativo, especialmente com múltiplos parceiros. O uso de drogas injetáveis e viver com HIV também aumentam o risco, já que o sistema imunológico pode estar mais vulnerável.

Como é feito o diagnóstico?

O Ministério da Saúde recomenda um modelo de testagem sequencial: primeiro é feito um teste treponêmico (teste rápido, que detecta anticorpos específicos da bactéria) e, se o resultado for reagente, é feito o VDRL, um teste não treponêmico usado para confirmar a infecção ativa e acompanhar a resposta ao tratamento.

Hoje, o SUS oferece também o teste rápido combo HIV/sífilis, que detecta as duas infecções na mesma amostra, com resultado em poucos minutos. Gestantes devem ser testadas no início do pré-natal, no terceiro trimestre e no momento do parto, para reduzir o risco de transmissão para o bebê.

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Qual é o tratamento para sífilis?

O tratamento é feito com antibiótico, principalmente penicilina benzatina, disponível gratuitamente pelo SUS. Nas fases iniciais, uma única dose costuma ser suficiente para eliminar a bactéria e interromper a transmissão, inclusive da mãe para o bebê. Em casos mais avançados ou quando o tempo de infecção não é conhecido, o médico pode indicar doses adicionais ao longo de semanas.

A sífilis tem cura quando tratada corretamente, e o próprio parceiro ou parceiros sexuais também precisam ser testados e tratados, para evitar reinfecção.

Como prevenir a sífilis?

O uso de preservativo em todas as relações sexuais continua sendo a forma mais eficaz de prevenção. Além disso, testar-se regularmente (principalmente após qualquer relação sem proteção) e buscar atendimento médico assim que surgir qualquer sintoma são passos essenciais para interromper a transmissão e evitar as fases mais graves da doença.


Perguntas Frequentes

Sífilis tem cura? Sim. Quando diagnosticada e tratada corretamente com penicilina, a sífilis tem cura em qualquer fase, embora danos já causados por fases avançadas (como lesões em órgãos) possam não ser totalmente revertidos.

Sífilis pode ser transmitida sem relação sexual? Pode, embora seja mais raro. A transmissão também acontece por contato com sangue contaminado e da mãe para o bebê durante a gravidez (sífilis congênita).

Quem tem sífilis sempre apresenta sintomas? Não. A doença pode ficar em fase latente, sem sintomas visíveis, por meses ou anos, mesmo continuando ativa no organismo. Por isso, testar-se é a única forma segura de saber o diagnóstico.

Preciso tratar o parceiro também? Sim. Para evitar reinfecção, todos os parceiros sexuais da pessoa diagnosticada devem ser testados e, se necessário, tratados ao mesmo tempo.

Sífilis na gravidez é grave? Sim, pode causar aborto, parto prematuro, malformações e sífilis congênita no bebê. Por isso o teste é obrigatório em toda gestante, feito no início do pré-natal, no terceiro trimestre e no parto.


Se você teve relação sexual sem proteção ou notou qualquer sintoma descrito aqui, o passo mais seguro é fazer o teste o quanto antes. Agende uma consulta com a AmorSaúde e conte com atendimento acolhedor e sigiloso para investigar e tratar a sífilis.

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