O Papanicolau é um dos exames mais importantes da saúde da mulher. Ele permite encontrar lesões no colo do útero quando ainda são tratáveis, antes de se transformarem em câncer. Por isso, o câncer do colo do útero é considerado um dos mais preveníveis.
Neste guia, você vai ver o que é o Papanicolau, o que mudou com o teste de DNA-HPV, quem deve fazer e com que frequência, como se preparar, como é o exame e o que significa cada resultado.
Aqui você vai encontrar:
ToggleO que é o Papanicolau?
O Papanicolau, também chamado de preventivo ou citologia oncótica, é um exame em que o profissional de saúde colhe células do colo do útero com uma espátula e uma escovinha. O material vai para o laboratório, onde é analisado no microscópio.
O objetivo principal é encontrar alterações nas células causadas pelo HPV, o vírus responsável por quase todos os casos de câncer do colo do útero. Essas alterações levam anos para virar câncer, e quando são tratadas no início, a doença é evitada.
Papanicolau ou teste de DNA-HPV: o que mudou?
Em 2025, o Ministério da Saúde e o INCA passaram a recomendar o teste de DNA-HPV como exame principal de rastreamento no SUS, com implantação gradual nos estados. A coleta é parecida com a do Papanicolau, mas o laboratório procura o próprio vírus, e não as alterações que ele causa.
| Papanicolau | Teste de DNA-HPV | |
|---|---|---|
| O que procura | Alterações nas células do colo do útero | Presença de tipos de HPV que podem causar câncer |
| Como é a coleta | Células do colo do útero, com espéculo | Igual à do Papanicolau |
| Intervalo se o resultado for normal | A cada 3 anos, depois de dois exames anuais normais | A cada 5 anos |
| Se der alterado | Repetir o exame ou fazer colposcopia, conforme o resultado | HPV 16 ou 18: colposcopia. Outros tipos: Papanicolau na mesma amostra |
Na prática, o Papanicolau continua sendo usado: ele confirma os casos em que o teste de HPV dá positivo e segue como exame de rastreamento onde o teste ainda não está disponível. O médico indica qual exame é o certo para você.
O que o Papanicolau detecta?
O Papanicolau foi feito para encontrar lesões que podem virar câncer do colo do útero. Ele também pode mostrar sinais de inflamação e de algumas infecções, como candidíase, tricomoníase e alterações causadas pelo HPV.
Mas ele não serve para diagnosticar infecções sexualmente transmissíveis como sífilis, gonorreia ou clamídia. Essas exigem exames próprios, de sangue ou da secreção. Veja em detalhes em o exame Papanicolau detecta quais doenças.
Papanicolau: quando fazer?
Para o rastreamento com Papanicolau, a orientação do Ministério da Saúde é:
- Idade: dos 25 aos 64 anos, para quem já teve relação sexual.
- Frequência: os dois primeiros exames com um ano de intervalo. Se os dois forem normais, os próximos a cada 3 anos.
- Depois dos 64 anos: pode parar quem tem pelo menos dois exames normais nos últimos 5 anos.
- Imunossuprimidas (por exemplo, pessoas com HIV ou em uso de remédios que baixam a imunidade): o intervalo é menor, definido pelo médico.
Situações especiais:
- Grávidas: podem fazer o exame normalmente durante a gestação, seguindo a mesma recomendação de idade e intervalo. Não é preciso esperar um mês específico.
- Quem nunca teve relação sexual: não precisa fazer o rastreamento, porque o risco de HPV é muito baixo. A consulta ginecológica continua importante.
- Quem retirou o útero: se a cirurgia foi total, por causa benigna e sem lesões anteriores no colo, em geral pode parar. Nos demais casos, o médico orienta.
- Menopausa: segue a mesma recomendação. Às vezes o médico indica um creme com estrogênio antes do exame para melhorar a qualidade da amostra.
O exame não precisa de sintomas para ser feito. Mas sangramento depois da relação sexual, fora da menstruação ou após a menopausa precisa ser avaliado logo, mesmo com o preventivo em dia. Conheça os sintomas de câncer no colo do útero.
Como se preparar para o Papanicolau
- evite relações sexuais, mesmo com camisinha, nos 2 dias anteriores;
- não use duchas, cremes, óvulos ou lubrificantes vaginais nos 2 dias anteriores, a não ser que o médico tenha indicado;
- não faça o exame menstruada: espere uns 5 dias depois do fim da menstruação;
- leve o pedido médico e os resultados de exames anteriores, se tiver.
Se você teve relação ou usou algum creme antes do exame, avise o profissional. Em alguns casos o exame é feito assim mesmo; em outros, é melhor remarcar.
Como é feito o Papanicolau?
O exame leva poucos minutos e é feito no consultório:
- Você troca de roupa e deita na maca em posição ginecológica, com as pernas apoiadas.
- O profissional examina a região externa e coloca o espéculo, o “bico de pato”, para ver o colo do útero.
- Com uma espátula e uma escovinha, ele colhe as células do colo do útero.
- O material vai para uma lâmina ou um frasco e segue para o laboratório.
Depois do exame, você volta às atividades normalmente. Um leve sangramento ou uma pequena cólica no mesmo dia são comuns e passam sozinhos.
O Papanicolau dói?
Na maioria das vezes, não. Pode haver um desconforto quando o espéculo é colocado e na hora da coleta, mas ele passa rápido. Respirar fundo e relaxar o abdômen ajuda. Veja dicas em Papanicolau dói?.
Resultado do Papanicolau: o que significa
- Normal ou “alterações benignas”: não há lesão. Siga o intervalo de rotina.
- Inflamação: é comum e, na maioria das vezes, não indica doença. Se houver sintomas, o médico avalia se há infecção.
- Lesão de baixo grau (ASC-US ou LSIL): alterações leves, geralmente ligadas ao HPV, que muitas vezes regridem sozinhas. Em geral, o exame é repetido depois de alguns meses.
- Lesão de alto grau (ASC-H ou HSIL): alterações com mais chance de evoluir. O próximo passo é a colposcopia, exame que olha o colo do útero com lente de aumento e pode incluir biópsia.
- Amostra insatisfatória: não houve células suficientes para analisar. O exame precisa ser repetido.
Leve sempre o resultado ao médico. Só ele pode dizer o que fazer em cada caso.
Outros exames ginecológicos importantes
O Papanicolau faz parte da rotina, mas não substitui a consulta. Conforme a idade e os sintomas, o ginecologista também pode pedir ultrassom transvaginal, exames de sangue, colposcopia e, a partir dos 40 anos, mamografia. Veja a lista completa em exames ginecológicos e o guia de exames de rotina da mulher.
Perguntas frequentes sobre o Papanicolau
Pode fazer Papanicolau menstruada?
Não é o ideal, porque o sangue atrapalha a análise das células. O recomendado é esperar cerca de 5 dias depois do fim da menstruação. Se houver sangramento fora do período, avise o profissional antes do exame.
Grávida pode fazer Papanicolau?
Pode. A gestante segue a mesma recomendação de idade e intervalo das demais mulheres, e o exame pode ser feito em qualquer fase da gestação. Um leve sangramento depois da coleta pode acontecer e costuma passar sozinho.
Quem nunca teve relação sexual precisa fazer Papanicolau?
Não. O rastreamento é indicado para quem já iniciou a vida sexual, porque o principal causador do câncer do colo do útero, o HPV, é transmitido pelo contato íntimo. A consulta ginecológica de rotina continua importante.
Tive relação antes do Papanicolau. E agora?
Avise o profissional. A relação nos 2 dias anteriores pode atrapalhar a leitura das células. Dependendo do caso, o exame é feito assim mesmo ou remarcado. Se o resultado vier como amostra insatisfatória, basta repetir.
Papanicolau detecta HPV?
Ele mostra as alterações que o HPV causa nas células, mas não identifica o vírus em si. Para saber se há HPV e de qual tipo, existe o teste de DNA-HPV, que hoje é o exame principal de rastreamento no SUS.
Quem tirou o útero precisa fazer Papanicolau?
Se a retirada foi total, por um motivo benigno, e nunca houve lesão de alto grau no colo do útero, em geral não precisa mais. Se a cirurgia foi por câncer ou lesão, ou se o colo do útero foi mantido, o médico indica como continuar o acompanhamento.
Fontes
- Instituto Nacional de Câncer (INCA) e Ministério da Saúde. Manual de apoio à implementação do teste DNA-HPV para gestores do SUS, 2025.
- Ministério da Saúde e INCA. Nota Técnica Conjunta nº 130/2026, sobre testes de DNA-HPV no rastreamento.
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero, 2ª edição, 2016 (recomendações para o Papanicolau).
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Para colocar o preventivo em dia, encontre a unidade AmorSaúde mais próxima e agende uma consulta com ginecologista.










