[PRIORIDADE] [DEZEMBRO] Panorama sobre a Aids no Brasil: prevenção ainda é o melhor caminho

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Uma fita vermelha: este é símbolo da campanha Dezembro Vermelho, que visa conscientizar a população sobre a importância da prevenção da Aids e do tratamento precoce da doença, que aumenta a sobrevida de pacientes.

Quer entender os números da Aids no Brasil, como é feito o tratamento, os resultados de pesquisas sobre a cura e a necessidade dos cuidados de prevenção? Então, acompanhe o texto até o final e se informe sobre o assunto!

Panorama no Brasil

A Aids — Síndrome da Imunodeficiência Adquirida — é uma doença decorrente da infecção do vírus HIV que ataca o sistema de defesa do organismo. Seu principal alvo são as células de defesa denominadas de linfócitos T-CD4+.

O Brasil, apesar de suas políticas públicas para combater o vírus HIV, não registrou resultados positivos de 2010 a 2018 em relação à doença. Enquanto no mundo houve queda de 16% no número de novos casos de Aids no período, no país registrou-se um aumento de 21% ao longo desses oito anos — de 44 mil novos casos em 2010 para 53 mil em 2018.

O crescimento de infecções no país colaborou para o aumento de 7% dos casos na América Latina no período, mesmo com os bons resultados de países como a Colômbia (-22%) e El Salvador (-48%). As informações são da Unaids, agência da Organização das Nações Unidas (ONU) especializada na doença.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, de 2007 a junho de 2018, a maioria das infecções pelo HIV foi entre pessoas com 20 a 34 anos (52,6% dos casos). De 1980 a junho de 2018, foram detectados 926.742 casos de Aids no Brasil, sendo 606.936 (65,5%) em homens e 319.682 (34,5%) em mulheres.

Tratamentos para Aids

O coquetel de medicamentos para o tratamento da Aids só começou a ser prescrito para os pacientes em 1995. A associação de diferentes fármacos, como o AZT, trouxe uma nova perspectiva em relação à doença, que deixou de ser vista como fatal e passou a ser uma enfermidade, que mesmo sem cura, é controlável.

Atualmente, as pessoas convivem longos períodos com a doença, vivendo bem, apesar de alguns efeitos colaterais do tratamento, como tonturas, diarreias e enjoos. A toxicidade da medicação também pode trazer riscos para os rins e para o fígado.

A medicação recomendada para os pacientes se resume a um único comprimido, que é a combinação de 3 fármacos. Se houver efeitos adversos ou alguma contraindicação, existe a opção de outros antirretrovirais, mas, nesse caso, a prescrição varia de acordo com cada paciente.

Quando se fala em tratamento de Aids, é fundamental a disciplina do paciente, que não pode interromper o uso das medicações e deve tomá-las de acordo com os intervalos prescritos pelo médico.

Aumento da sobrevida

No Brasil, o tratamento da Aids vem apresentando bons resultados com um aumento de sobrevida dos pacientes. O Estudo de Abrangência Nacional de Sobrevida e Mortalidade de Pacientes com Aids no Brasil, do Ministério da Saúde, constatou que 70% dos adultos e 87% das crianças tiveram sobrevida que ultrapassou os 12 anos. Antes das políticas de combate à doença, a sobrevida era de 5 anos.

Cura da doença

Há relatos da possível cura de um homem que vivia com o HIV. Pesquisadores da University College London e do Imperial College London trataram, em 2016, um linfoma de Hodgkin usando transplantes de células-tronco de um doador que tinha uma mutação genética rara. Eles relatam que o HIV se manteve indetectável no paciente desde que ele parou de tomar os medicamentos antirretrovirais.

Segundo a Unaids, transplantes de células-tronco são complexos, intensivos e caros, não sendo ainda uma maneira viável de curar pessoas que vivem com o HIV. Todavia, o caso mostrado apresenta um caminho interessante para os cientistas que trabalham nessa questão.

Pesquisa de universidade brasileira

Uma pesquisa que pode ter resultados promissores acontece no Brasil, na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde estão em andamento dois estudos. Um deles utiliza medicamentos e substâncias que matam o vírus HIV no momento da replicação e acabam com as células em que ele fica adormecido (latência). A outra frente desenvolve uma vacina que leva o sistema de defesa a reagir e eliminar as células infectadas que o medicamento não é capaz de alcançar.

Prevenção ainda é a melhor saída

Apesar dos bons resultados dos tratamentos contra o vírus HIV e das pesquisas que têm como objetivo encontrar a cura da doença, é indispensável que sejam tomadas todas as medidas de prevenção, principalmente entre os jovens. Muitos não temem a doença, pois não viveram a época (entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990) em que havia muitos casos da doença e tratamentos pouco efetivos.

É necessário que haja a conscientização sobre a importância de usar camisinha e de tomar outros cuidados, como evitar o compartilhamento de seringas ou de instrumentos que furam ou cortam que não estejam esterilizados.

Nesse contexto, é importante, também, combater o preconceito com os pacientes soropositivos, uma vez que a doença não é transmitida por meio da pele, beijo, suor nem ao menos pelo ar — muitas pessoas ainda pensam que essas formas de contaminação são possíveis.

Teste anti-HIV

Pessoas que passaram por uma situação de risco, como ter feito sexo desprotegido, devem fazer o teste anti-HIV o quanto antes. O exame é muito simples: é realizado com a coleta de sangue ou fluido oral e o resultado sai em apenas 30 minutos. Em caso positivo, é possível começar o tratamento imediatamente, o que vai aumentar a expectativa de vida do paciente.

É essencial conhecer o panorama da Aids no Brasil e como é feito o tratamento. Afinal, quanto mais informação houver, mais a população poderá se conscientizar sobre a necessidade de se prevenir do vírus HIV, reduzindo, assim, os novos casos da doença.

Gostou dos dados que trouxemos neste artigo? Então, também vai gostar de saber sobre a doação de sangue e se informar sobre quem pode doar e o que é preciso fazer!

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