A endometriose é uma doença crônica, mas isso não significa conviver com dor. Com o tratamento certo, a maioria das mulheres consegue controlar os sintomas, retomar a rotina e, quando deseja, engravidar.
Neste guia, você vai ver como o tratamento é escolhido, quais remédios são usados, quando a cirurgia é indicada, como é a recuperação e quais são as opções para quem quer ter filhos.
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ToggleEndometriose tem cura?
Ainda não existe cura definitiva, segundo a Organização Mundial da Saúde. O objetivo do tratamento é aliviar a dor, impedir que as lesões avancem e preservar a fertilidade. Os sintomas costumam diminuir depois da menopausa, quando caem os hormônios que estimulam as lesões.
Como o tratamento é escolhido
Não existe um tratamento único para todas. O ginecologista define o plano com base em:
- intensidade da dor e impacto na rotina;
- tipo, tamanho e local das lesões, vistos no ultrassom transvaginal ou na ressonância;
- idade e histórico de saúde;
- desejo de engravidar agora ou no futuro;
- resposta a tratamentos anteriores.
Em geral, o tratamento começa com remédios. A cirurgia entra quando eles não resolvem ou quando há lesões que comprometem órgãos.
Remédios para endometriose
Analgésicos e anti-inflamatórios
Ajudam a aliviar a dor nas crises, principalmente na menstruação. Não tratam as lesões, por isso costumam ser combinados com o tratamento hormonal. Use sempre com orientação médica, principalmente se precisar deles todo mês.
Anticoncepcional de uso contínuo
A pílula combinada tomada sem pausa suspende a menstruação. Com isso, as lesões param de ser estimuladas a cada ciclo, e a inflamação e a dor diminuem. É uma das opções mais usadas como primeiro tratamento.
Progestagênios
São hormônios parecidos com a progesterona, usados em comprimido (como o dienogeste e o desogestrel), injeção, implante ou DIU hormonal. Também diminuem ou suspendem a menstruação e são uma alternativa para quem não pode usar estrogênio.
Análogos e antagonistas do GnRH
Bloqueiam a produção de hormônios pelos ovários e deixam o corpo temporariamente em um estado parecido com a menopausa. São usados em casos específicos, por tempo limitado, porque podem causar ondas de calor e perda de massa óssea. O médico costuma associar uma pequena dose de hormônio para reduzir esses efeitos.
Efeitos colaterais mais comuns
Sangramento irregular nos primeiros meses, inchaço, alterações de humor, dor de cabeça e variação de peso são os efeitos mais relatados dos tratamentos hormonais. Efeitos como aumento de pelos e engrossamento da voz eram ligados a remédios antigos, hoje pouco usados. Se algum efeito incomodar, converse com o médico: há várias opções para trocar.
Os tratamentos hormonais citados acima também funcionam como anticoncepcionais. Por isso, quem quer engravidar precisa de um plano diferente (veja abaixo).
Cirurgia para endometriose
Quando a cirurgia é indicada
- a dor continua forte mesmo com o tratamento com remédios;
- há endometriomas (cistos de endometriose no ovário) grandes ou que crescem;
- há endometriose profunda que compromete intestino, bexiga ou ureteres;
- em alguns casos de infertilidade, para melhorar as chances de gravidez;
- quando é preciso confirmar o diagnóstico.
Videolaparoscopia
É a cirurgia mais usada. Por pequenos cortes na barriga, o cirurgião introduz uma microcâmera e instrumentos para retirar ou destruir as lesões e desfazer aderências, preservando o útero e os ovários sempre que possível. A recuperação é mais rápida e a dor no pós-operatório é menor do que na cirurgia aberta.
Cirurgia robótica
É uma videolaparoscopia em que o cirurgião comanda braços robóticos, com visão ampliada e movimentos mais precisos. Pode ser útil em casos complexos de endometriose profunda. A indicação e o acesso variam conforme o hospital e a equipe.
Retirada do útero (histerectomia)
É exceção, considerada em casos graves, quando outras opções falharam e a mulher não deseja mais engravidar. Retirar o útero não garante o fim da endometriose se lesões permanecerem em outros locais. Se os ovários também forem retirados, a mulher entra na menopausa. Por isso, a decisão é sempre individual e bem discutida com o médico.
Preparo para a cirurgia
Antes da cirurgia, o médico pede exames de rotina (sangue, eletrocardiograma) e de imagem, como o ultrassom transvaginal ou a ressonância com preparo intestinal, para mapear as lesões. Quando há suspeita de lesão no intestino, pode ser necessário um preparo intestinal com dieta e laxante nos dias anteriores, sempre conforme a orientação da equipe.
Como é a recuperação
Na videolaparoscopia, a alta costuma acontecer em até um ou dois dias, e a maioria das mulheres volta às atividades leves em cerca de duas semanas. Cirurgias maiores, como as de endometriose intestinal ou a histerectomia, exigem mais tempo. No pós-operatório, o médico costuma orientar:
- repouso nos primeiros dias e caminhadas leves;
- evitar esforço físico e carregar peso até a liberação;
- evitar relações sexuais pelo período indicado, em geral algumas semanas;
- tomar os remédios prescritos e voltar às consultas de revisão.
Procure atendimento se houver febre, dor que piora em vez de melhorar, sangramento intenso, vômitos ou vermelhidão e secreção nos cortes.
A endometriose pode voltar depois da cirurgia?
Sim. Como a doença é crônica, as lesões podem voltar com o tempo. Para reduzir esse risco, o médico costuma indicar tratamento hormonal após a cirurgia para quem não está tentando engravidar.
Tratamento para quem quer engravidar
Como os tratamentos hormonais impedem a gravidez, quem deseja engravidar precisa de um plano específico. Dependendo do caso, o médico pode indicar tentar a gravidez natural com acompanhamento, cirurgia para retirar lesões e aderências, ou técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro. Saiba mais em quem tem endometriose pode engravidar.
Cuidados que ajudam no tratamento
Alguns cuidados não tratam as lesões, mas ajudam a controlar a dor e a melhorar a qualidade de vida:
- Fisioterapia pélvica: alivia a tensão muscular da pelve e a dor na relação sexual.
- Atividade física regular: ajuda no controle da dor e do bem-estar.
- Apoio psicológico: a dor crônica afeta o humor, o sono e os relacionamentos, e a terapia ajuda a lidar com isso.
- Alimentação equilibrada: não existe dieta que cure a endometriose, mas comer bem ajuda na saúde geral e no intestino.
Perguntas frequentes
Qual é o melhor tratamento para endometriose?
Depende de cada caso. Para muitas mulheres, o tratamento hormonal contínuo, com anticoncepcional, progestagênio ou DIU hormonal, junto com remédios para dor nas crises, já controla bem os sintomas. A cirurgia é indicada quando os remédios não funcionam, nas formas profundas ou em alguns casos de infertilidade.
Anticoncepcional trata endometriose?
Sim, ele controla a doença, mas não a cura. Tomado sem pausa, suspende a menstruação, diminui a inflamação e alivia a dor. Ao parar o remédio, os sintomas podem voltar.
Quem tem endometriose precisa operar?
Não necessariamente. Muitas mulheres controlam a doença só com remédios. A cirurgia é indicada quando a dor não melhora com o tratamento, quando há cistos grandes no ovário, lesões profundas que comprometem órgãos ou em alguns casos de dificuldade para engravidar.
A cirurgia cura a endometriose?
A cirurgia retira as lesões e costuma aliviar bastante a dor, mas não garante a cura, porque a doença pode voltar com o tempo. Por isso, muitas mulheres continuam o tratamento hormonal depois da cirurgia.
Quanto tempo dura a recuperação da cirurgia de endometriose?
Na videolaparoscopia, a alta costuma ocorrer em até um ou dois dias, e a volta às atividades leves acontece em cerca de duas semanas. Cirurgias maiores, como as de endometriose intestinal ou a retirada do útero, exigem mais tempo. O médico orienta quando liberar exercícios e relações sexuais.
O tratamento da endometriose engorda?
Alguns tratamentos hormonais podem causar inchaço ou variação de peso em parte das mulheres, mas isso não acontece com todas. Se notar mudança que incomoda, converse com o médico, porque há outras opções de remédio.
Fontes
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Endometriosis: fact sheet, 2025.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta médica. Para saber qual tratamento é o certo para você, encontre a unidade AmorSaúde mais próxima e agende uma consulta com ginecologista.










