Resumo: Tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível causada pelo protozoário Trichomonas vaginalis. Costuma ser mais sintomática em mulheres (corrimento amarelo-esverdeado com odor forte, coceira, dor ao urinar) do que em homens, que muitas vezes não apresentam sintomas. O tratamento padrão é com metronidazol ou tinidazol, e ambos os parceiros precisam ser tratados ao mesmo tempo para evitar reinfecção.
A tricomoníase é uma infecção sexualmente transmissível (IST) que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, causada por um protozoário chamado Trichomonas vaginalis. Pode provocar diversos sintomas desconfortáveis, especialmente nas mulheres. Embora os homens também possam ser infectados, eles frequentemente não apresentam sintomas.
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ToggleO que é a tricomoníase?
A tricomoníase é a infecção da área genital e urinária pelo protozoário Trichomonas vaginalis, transmitido principalmente durante relação sexual desprotegida com uma pessoa infectada. O uso de preservativo reduz significativamente o risco de transmissão, mas não o elimina por completo, já que o parasita pode infectar áreas não cobertas pela camisinha. Compartilhar brinquedos sexuais sem higienização adequada também pode transmitir a infecção.
A tricomoníase pode aumentar o risco de contrair outras ISTs, incluindo o HIV, por causa da inflamação que provoca nas áreas genitais. Ainda assim, é uma das ISTs mais facilmente tratáveis, com antibióticos específicos prescritos pelo médico.

Sintomas da tricomoníase
Os sintomas costumam aparecer entre 5 e 28 dias após a exposição, mas variam bastante entre homens e mulheres, e muitas pessoas não apresentam sintoma nenhum, mesmo estando infectadas e podendo transmitir a doença.
Em mulheres, a infecção tende a ser mais sintomática:
- Corrimento vaginal de cor amarelo-esverdeada, muitas vezes com odor forte
- Coceira e irritação na área genital, com vermelhidão e inchaço da vulva
- Dor durante a relação sexual
- Dor ao urinar
Em homens, a tricomoníase costuma ser assintomática. Quando há sintomas, podem incluir irritação dentro do pênis, leve corrimento ou queimação ao urinar ou ejacular, sintomas facilmente confundidos com outras condições urinárias.
A ausência de sintomas não significa ausência de infecção: tanto homens quanto mulheres assintomáticos podem transmitir o parasita para seus parceiros.
Manter uma boa comunicação com os parceiros sexuais e praticar sexo seguro são medidas importantes para a prevenção da tricomoníase e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Como é feito o diagnóstico?
O médico realiza exame físico e coleta uma amostra de fluido vaginal ou uretral, analisada em laboratório para detectar o Trichomonas vaginalis. Os métodos incluem:
- Microscopia: busca direta pelo parasita na amostra
- Testes de amplificação de ácido nucleico (NAAT): altamente sensíveis, detectam pequenas quantidades do material genético do parasita
- Testes rápidos: disponíveis em algumas clínicas, com resultado em menos de uma hora
É recomendável fazer exames regulares se você tem múltiplos parceiros sexuais ou se seu parceiro foi diagnosticado com alguma IST, mesmo sem sintomas.
Como tratar a tricomoníase?
O tratamento padrão é feito com antibióticos da classe dos nitroimidazólicos: metronidazol ou tinidazol.
Segundo as diretrizes atuais (CDC, 2021), o esquema recomendado varia entre homens e mulheres:
- Mulheres: metronidazol 500 mg por via oral, de 12 em 12 horas, por 7 dias, esquema que demonstrou taxa de cura superior à dose única nesse grupo.
- Homens: metronidazol 2 g por via oral em dose única.
- Alternativa para ambos: tinidazol 2 g em dose única, especialmente em casos de infecção persistente, resistência ao metronidazol ou intolerância gastrointestinal.
O esquema exato pode variar conforme o quadro clínico, gestação ou amamentação, por isso deve ser sempre definido pelo médico.
Pontos importantes do tratamento:
- Ambos os parceiros sexuais devem ser tratados simultaneamente, mesmo que um deles não tenha sintomas, para evitar reinfecção
- É recomendado evitar atividade sexual até a conclusão do tratamento e o desaparecimento dos sintomas
- Evite consumir álcool durante o tratamento com metronidazol ou tinidazol e por pelo menos 24 a 72 horas após a última dose, já que a combinação pode causar reação semelhante à do dissulfiram (náusea intensa, vômito, dor de cabeça)
- É importante completar todo o curso do tratamento, mesmo que os sintomas desapareçam antes do fim
- Testes de acompanhamento após o tratamento ajudam a confirmar que a infecção foi eliminada
Quais complicações a tricomoníase não tratada pode causar?
Quando não tratada, a tricomoníase pode causar inflamação crônica das áreas genitais e aumentar o risco de outras ISTs, incluindo o HIV.
Em mulheres, pode levar à doença inflamatória pélvica (DIP), associada a dor pélvica crônica, infertilidade e maior risco de gravidez ectópica.
Em homens, pode resultar em prostatite crônica e uretrite persistente.
Na gestação, a tricomoníase está associada a maior risco de parto prematuro e baixo peso ao nascer na gravidez, além de poder ser transmitida ao bebê durante o parto, causando infecção neonatal. O tratamento na gestação deve ser sempre orientado pelo obstetra, considerando o momento ideal e a medicação mais segura para cada caso.

Perguntas Frequentes
Tricomoníase pode voltar depois do tratamento? Sim, principalmente se o parceiro sexual não for tratado ao mesmo tempo ou em caso de exposição a um novo parceiro infectado. Tratar ambos os parceiros simultaneamente e evitar atividade sexual até a conclusão do tratamento reduz bastante esse risco.
Tricomoníase afeta a fertilidade? Quando não tratada, sim, principalmente em mulheres, pela associação com a doença inflamatória pélvica, que pode causar cicatrizes nas trompas de Falópio. Em homens, a inflamação crônica (prostatite ou uretrite) também pode afetar a saúde reprodutiva. O tratamento precoce reduz esse risco.
Homem assintomático pode ter tricomoníase? Sim. A maioria dos homens infectados não apresenta sintomas, mas ainda assim pode transmitir o parasita para parceiros sexuais. Por isso, o tratamento do parceiro é recomendado mesmo sem sintomas, quando a parceira for diagnosticada.
Posso beber álcool durante o tratamento da tricomoníase? Não é recomendado. O metronidazol e o tinidazol podem causar uma reação desagradável com álcool (náusea, vômito, dor de cabeça). O ideal é evitar bebidas alcoólicas durante o tratamento e por pelo menos 24 a 72 horas após a última dose, conforme orientação médica.
O tratamento da tricomoníase é diferente para homens e mulheres? Pode ser. As diretrizes atuais recomendam metronidazol por 7 dias para mulheres, com melhor taxa de cura nesse grupo, e dose única para homens. A escolha final é sempre do médico, considerando cada caso.
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