A periodontite é silenciosa, costuma evoluir sem dor e, quando o sintoma finalmente aparece, a destruição do osso e do tecido já é significativa. Não é à toa que ela é considerada a principal causa de perda de dentes em adultos no mundo.
Entender o que é a periodontite, como ela se desenvolve e como tratá-la é o primeiro passo para preservar o sorriso e evitar consequências que vão muito além da boca. Inclusive porque, hoje, a ciência relaciona a doença periodontal a problemas cardíacos, descontrole do diabetes e outras condições sistêmicas.
Aqui você vai encontrar:
ToggleO que é periodontite?
A doença evolui em etapas previsíveis. Identificar em qual estágio ela está é fundamental para definir o tratamento:
Placa bacteriana
Película pegajosa formada por bactérias e restos de alimentos se acumula nos dentes diariamente. Se não removida por escovação e fio dental, endurece em tártaro.
Gengivite (reversível)
Inflamação restrita à gengiva, com vermelhidão, inchaço e sangramento. Tratada cedo, regride totalmente. Sem tratamento, evolui para periodontite.
Periodontite leve a moderada
A inflamação avança, forma-se bolsa periodontal (espaço entre dente e gengiva acima de 3 mm) e começa a perda óssea. Sintomas ainda podem ser sutis.
Periodontite avançada
Perda óssea significativa, mobilidade dos dentes, retração gengival visível e risco real de perda dentária. Tratamento mais complexo e geralmente cirúrgico.
Para entender em mais detalhes a relação entre as duas fases iniciais, vale conferir nosso guia completo sobre gengivite e periodontite.
Quais são os sintomas da periodontite?
Os principais sinais que merecem avaliação odontológica imediata são:
- Sangramento ao escovar os dentes ou usar fio dental
- Gengiva inchada, vermelha ou sensível
- Retração gengival (os dentes parecem mais “compridos”)
- Mau hálito persistente, mesmo com boa higiene
- Gosto ruim ou metálico na boca
- Sensibilidade ao quente, frio ou ao toque
- Espaços novos entre os dentes ou dentes que “se mexem”
- Pus ou secreção entre o dente e a gengiva
- Mudança na mordida ou no encaixe dos dentes
Para uma descrição mais detalhada de cada sinal, vale a leitura do nosso conteúdo sobre sintomas de periodontite.
Quais as causas e fatores de risco da periodontite?
A causa principal da periodontite é o acúmulo prolongado de placa bacteriana e tártaro abaixo da linha da gengiva. Mas alguns fatores aumentam significativamente o risco de desenvolver a doença:
Higiene bucal inadequada
Escovação insuficiente, falta de fio dental e ausência de limpeza profissional regular são as principais causas modificáveis da doença.
Tabagismo
O cigarro é um dos maiores fatores de risco. Reduz a circulação na gengiva, mascara sintomas iniciais e dificulta a resposta ao tratamento. Parar de fumar é a medida única que mais reduz o risco de periodontite grave.
Diabetes descompensado
O descontrole glicêmico aumenta a suscetibilidade à doença periodontal, e a periodontite descompensa o diabetes. É uma relação de mão dupla que exige atenção redobrada.
Alterações hormonais
Gestação, puberdade e menopausa amplificam a resposta inflamatória da gengiva à placa. A gengivite gravídica é comum e exige cuidado redobrado durante a gestação.
Medicamentos que reduzem a saliva
Anti-histamínicos, antidepressivos e anti-hipertensivos podem causar boca seca, reduzindo a proteção natural contra bactérias. A xerostomia favorece o desenvolvimento da doença periodontal.
Condições que afetam a imunidade
HIV, leucemia, artrite reumatoide, doença de Crohn e outras condições que comprometem o sistema imune aumentam o risco de desenvolver periodontite grave.
Outros fatores
Genética, estresse crônico, deficiência de vitamina C, obesidade e uso de cigarro eletrônico (vape) também são fatores de risco identificados pela literatura odontológica.
Como é feito o diagnóstico da periodontite?
A consulta de avaliação periodontal costuma incluir:
- Anamnese: o dentista pergunta sobre histórico médico, medicamentos em uso e hábitos como tabagismo, que influenciam o tratamento.
- Exame clínico: avaliação visual da gengiva, sangramento, retração e mobilidade dentária.
- Sondagem periodontal: medição da profundidade das bolsas em todos os dentes. É o exame mais importante para definir o diagnóstico e a gravidade da doença.
- Radiografia: a radiografia panorâmica ou periapical mostra o nível ósseo ao redor das raízes, confirmando a perda óssea típica da periodontite.
Como tratar a periodontite?
O tratamento da periodontite varia conforme o estágio da doença. Em casos iniciais, procedimentos não cirúrgicos são suficientes. Em casos avançados, pode ser necessária cirurgia. Veja as principais opções, sempre indicadas após avaliação profissional individualizada:
Não cirúrgico
Raspagem e alisamento radicular (RAR)
É o tratamento padrão da periodontite leve a moderada. O dentista remove a placa e o tártaro abaixo da gengiva com instrumentos manuais ou ultrassônicos, e depois alisa a superfície da raiz para facilitar a cicatrização e dificultar nova adesão bacteriana.
Não cirúrgico
Terapia a laser
Pode ser usada como complemento à raspagem, ajudando a eliminar bactérias nas bolsas periodontais. É menos invasiva e tem recuperação mais rápida, mas a indicação depende do caso.
Não cirúrgico
Antibióticos e antissépticos
Em alguns casos, o dentista prescreve antibióticos locais (gel aplicado nas bolsas) ou sistêmicos para combater a infecção bacteriana. Bochechos com clorexidina também podem fazer parte da rotina pós-procedimento.
Cirúrgico
Cirurgia de redução da bolsa periodontal
Em casos avançados, o periodontista realiza a cirurgia a retalho: a gengiva é afastada para permitir uma limpeza profunda das raízes e do osso. Depois, é reposicionada para fechar a bolsa periodontal.
Cirúrgico
Enxerto gengival
Quando há retração gengival significativa, o dentista retira tecido do céu da boca (ou usa material substituto) para cobrir as raízes expostas, reduzindo sensibilidade e protegendo contra a evolução da doença.
Cirúrgico
Procedimentos regenerativos
Em casos selecionados, é possível tentar regenerar parte do osso e do ligamento perdidos com enxertos ósseos, membranas regenerativas e proteínas estimuladoras. Os resultados variam conforme o caso.
Independente do tipo de tratamento inicial, o paciente entra depois em uma fase de manutenção periodontal: consultas a cada 3 a 4 meses para evitar a recidiva. Para mais detalhes sobre cada procedimento, consulte nosso conteúdo dedicado ao tratamento da periodontite.
Gengivite x periodontite: qual a diferença?
Confundir as duas condições é comum, mas elas representam estágios muito diferentes da doença. Veja a comparação direta:
Gengivite
- Inflamação restrita à gengiva
- Sem perda óssea
- Sintomas: vermelhidão, inchaço, sangramento
- Totalmente reversível
- Tratamento simples: limpeza profissional + higiene caseira
- Resolução em dias a poucas semanas
Periodontite
- Inflamação atinge osso e ligamento
- Perda óssea (irreversível)
- Sintomas: retração, mobilidade, bolsas, mau hálito
- Controlável, mas não reversível
- Tratamento complexo: raspagem, possíveis cirurgias
- Manutenção periodontal por toda a vida
Periodontite afeta só a boca?
Estudos consistentes da literatura odontológica e médica mostram associações importantes:
- Doença cardiovascular: a inflamação crônica gerada pela periodontite está associada a maior risco de infarto e AVC.
- Diabetes: a relação é bidirecional. Periodontite descompensa o diabetes, e diabetes mal controlado piora a periodontite.
- Parto prematuro e baixo peso ao nascer: gestantes com periodontite grave têm risco aumentado de complicações na gestação.
- Endocardite bacteriana: bactérias periodontais podem se instalar em válvulas cardíacas, principalmente em pacientes com próteses ou condições cardíacas pré-existentes.
- Doenças respiratórias: bactérias da boca podem ser aspiradas e contribuir para infecções pulmonares, especialmente em idosos.

Como prevenir a periodontite?
A boa notícia é que a periodontite é em grande parte prevenível. As medidas mais eficazes são:
- Escovação correta três vezes ao dia com escova de cerdas macias e pasta com flúor, durante pelo menos 2 minutos por vez.
- Uso diário de fio dental, ideal antes da escovação noturna. A escova não alcança a região entre os dentes, onde a placa mais se acumula. Veja como prevenir a placa bacteriana com a técnica correta.
- Limpeza profissional a cada 6 meses, ou em intervalos menores se houver histórico de doença periodontal.
- Parar de fumar: é a medida individual que mais reduz o risco de periodontite grave.
- Controlar o diabetes: manter a hemoglobina glicada dentro das metas reduz o risco de doença periodontal.
- Alimentação equilibrada, com baixo teor de açúcar refinado, reduz o substrato para as bactérias da placa.
- Atenção a sinais precoces: sangramento na escovação não é normal. É o primeiro sinal de gengivite, que deve ser tratada antes de evoluir.
O diagnóstico precoce da doença periodontal faz toda a diferença no prognóstico. Quanto antes a gengivite é identificada, maior a chance de evitar que se transforme em periodontite e suas consequências.
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Perguntas frequentes
Qual a diferença entre gengivite e periodontite?
A gengivite é a fase inicial e reversível da doença, com inflamação restrita à gengiva e sem perda óssea. A periodontite é a evolução da gengivite não tratada: a inflamação avança e destrói o osso e o ligamento que sustentam os dentes. A gengivite tem cura completa; a periodontite só pode ser controlada, não revertida totalmente.
A periodontite tem cura?
A periodontite não é totalmente reversível, porque o osso e o ligamento já destruídos não se regeneram sozinhos. Mas tem tratamento eficaz: é possível controlar a doença, deter sua progressão e manter os dentes funcionais por muitos anos com tratamento adequado e manutenção periódica.
Quanto tempo dura o tratamento da periodontite?
O tratamento inicial da periodontite, com raspagem e alisamento radicular, costuma levar de duas a quatro sessões espaçadas em algumas semanas. Após essa fase, o paciente entra em manutenção periodontal, que envolve consultas a cada três a quatro meses para evitar a recidiva da doença.
Periodontite pode afetar outras partes do corpo?
Sim. Existe evidência científica sólida associando a periodontite grave a doenças cardiovasculares, diabetes descompensado, parto prematuro e outras condições sistêmicas. As bactérias periodontais podem entrar na corrente sanguínea e contribuir para inflamação crônica no organismo, por isso a saúde bucal é parte da saúde geral.
Como prevenir a periodontite?
A prevenção da periodontite inclui escovação adequada três vezes ao dia, uso diário de fio dental, limpeza profissional a cada seis meses, controle de fatores de risco como tabagismo e diabetes, e visitas regulares ao dentista. Identificar e tratar a gengivite cedo é a forma mais eficaz de impedir que ela evolua para periodontite.









