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Pressão alta

Pressão alta: sintomas, riscos e como controlar

Resumo: Hipertensão é a elevação persistente da pressão arterial acima de 140×90 mmHg, confirmada em mais de uma medição. Afeta cerca de 32,5% dos adultos brasileiros (mais de 36 milhões de pessoas) e raramente causa sintomas, por isso é chamada de “matadora silenciosa”. O tratamento combina mudanças no estilo de vida e, na maioria dos casos, medicação contínua. Pressão acima de 180×120 mmHg com sintomas como dor no peito ou confusão mental é emergência: procure o pronto-socorro ou ligue para o SAMU (192).


Pressão alta, ou hipertensão arterial, é a elevação persistente da pressão do sangue nas artérias acima dos valores considerados normais. No Brasil, segundo a 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, a condição afeta cerca de 32,5% dos adultos, o equivalente a mais de 36 milhões de pessoas, e é uma das principais causas de infarto, AVC, insuficiência renal e insuficiência cardíaca.

O problema mais grave da hipertensão é que ela raramente causa sintomas. A maioria das pessoas não sabe que tem pressão alta até que um exame de rotina ou uma complicação grave revele o diagnóstico. Por isso, é chamada de “matadora silenciosa”.

O que é pressão arterial e como ela é medida?

A pressão arterial é a força que o sangue exerce contra as paredes das artérias a cada batimento cardíaco. Ela é medida em milímetros de mercúrio (mmHg) e expressa por dois números: o primeiro é a pressão sistólica (quando o coração contrai) e o segundo é a pressão diastólica (quando o coração relaxa).

Uma pressão de 120×80 mmHg, lida como “doze por oito”, é considerada ideal. Valores acima de 140×90 mmHg, confirmados em mais de uma medição, caracterizam hipertensão arterial.

A medição correta exige que o paciente esteja sentado, em repouso por pelo menos 5 minutos, com o braço apoiado na altura do coração, sem ter praticado exercício, fumado ou ingerido café na última meia hora. Medições feitas de forma incorreta geram resultados falsos.

Pressão alta

Como a pressão arterial é classificada?

A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial (SBC, edição de 2020) classifica a pressão medida em consultório da seguinte forma:

Classificação Sistólica (mmHg) Diastólica (mmHg)
Ótima Menor que 120 Menor que 80
Normal 120 a 129 80 a 84
Pré-hipertensão 130 a 139 85 a 89
Hipertensão estágio 1 140 a 159 90 a 99
Hipertensão estágio 2 160 a 179 100 a 109
Hipertensão estágio 3 180 ou mais 110 ou mais

O diagnóstico de hipertensão é fechado com valores iguais ou acima de 140×90 mmHg, medidos em consultório, em mais de uma visita. Vale notar que a diretriz americana (ACC/AHA) usa pontos de corte diferentes, considerando hipertensão a partir de 130×80 mmHg e com apenas dois estágios, o que costuma gerar confusão quando se compara conteúdo de fontes internacionais com a diretriz brasileira.

Quando a pressão é medida em casa (MRPA) ou por monitorização ambulatorial (MAPA), os valores de referência são um pouco diferentes: considera-se hipertensão a partir de 130×80 mmHg nessas modalidades.

Em idosos, a pressão sistólica isolada tende a ser mais elevada por causa da rigidez natural das artérias. A meta de tratamento pode ser diferente para essa população e deve ser definida pelo médico.

O que causa pressão alta?

Em mais de 90% dos casos, a hipertensão é essencial ou primária, ou seja, sem uma causa única identificável. Ela resulta da combinação de fatores genéticos e ambientais que, ao longo dos anos, elevam a pressão de forma progressiva.

Fatores de risco não modificáveis

  • Histórico familiar: filhos de hipertensos têm risco duas vezes maior de desenvolver a doença
  • Idade: a pressão tende a aumentar com o envelhecimento natural das artérias
  • Raça: pessoas negras têm maior prevalência e formas mais graves de hipertensão
  • Sexo: homens desenvolvem mais cedo; após a menopausa, o risco nas mulheres se iguala

Fatores de risco modificáveis

  • Excesso de sódio na alimentação: sal em excesso retém líquido e aumenta a pressão
  • Obesidade e sobrepeso: o excesso de peso aumenta o trabalho cardíaco e a resistência vascular
  • Sedentarismo: a falta de atividade física regular favorece a elevação da pressão
  • Consumo excessivo de álcool: eleva a pressão e reduz o efeito dos medicamentos
  • Tabagismo: a nicotina causa vasoconstrição imediata e dano vascular crônico
  • Estresse crônico: ativa o sistema nervoso simpático e mantém a pressão elevada
  • Apneia do sono: a hipoxia noturna repetida eleva a pressão, especialmente pela manhã
  • Diabetes e dislipidemia: aumentam o risco cardiovascular e frequentemente coexistem com hipertensão 

Nos cerca de 5 a 10% dos casos restantes, a hipertensão é secundária, causada por uma doença identificável, como doença renal crônica, hiperaldosteronismo primário, estenose de artéria renal ou uso de anticoncepcionais hormonais. Nesses casos, tratar a causa pode normalizar a pressão.

Pressão alta tem sintomas?

Na maioria das vezes, não. A hipertensão é assintomática na grande maioria dos casos, especialmente nos estágios iniciais. Quando os sintomas aparecem, geralmente indicam pressão muito elevada ou já há lesão em órgão-alvo.

Os sintomas mais relatados em crises hipertensivas ou em hipertensão grave são: dor de cabeça intensa (especialmente na nuca, pela manhã), tonturas, zumbido no ouvido, sangramento nasal (epistaxe), falta de ar, palpitções e visão embaçada.

Importante: esses sintomas não são específicos de pressão alta e podem ocorrer em várias outras condições. Da mesma forma, pressão muito elevada pode estar presente sem nenhum sintoma. A única forma confiável de saber se a pressão está alta é medir.

O AmorSaúde oferece exames para diagnóstico e acompanhamento de pressão alta (hipertensão). As unidades realizam o exame de MAPA 24h (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) e Holter 24h, além de consultas com cardiologistas para avaliação do risco cardiovascular e aferição de pressão. 

Crise hipertensiva: quando é uma emergência?

Crise hipertensiva é a elevação súbita da pressão para níveis muito altos, geralmente acima de 180×120 mmHg. Ela se divide em duas situações com condutas diferentes.

Urgência hipertensiva

Pressão muito elevada sem lesão aguda de órgão-alvo. O paciente pode estar assintomático ou ter sintomas leves como dor de cabeça. A pressão deve ser reduzida gradualmente em horas a dias com medicação oral. Não é necessário reduzir de forma abrupta.

Emergência hipertensiva

Pressão muito elevada com lesão aguda de órgão-alvo. Inclui: encéfalopatia hipertensiva, AVC, infarto agudo, dissecção de aorta, edema agudo de pulmão e eclampsia. Exige internamento imediato e redução rápida e controlada da pressão com medicação endovenosa. Procure o pronto-socorro imediatamente.

Sinais que indicam emergência: dor no peito irradiando para o braço ou costas, falta de ar intensa, confusão mental, fraqueza súbita em um lado do corpo, dificuldade para falar ou visão dupla. Ligue para o SAMU (192) ou vá ao pronto-socorro.

Quais são as complicações da pressão alta não tratada

Quais são as complicações da pressão alta não tratada?

A pressão elevada de forma crônica danifica as paredes das artérias e sobrecarrega os órgãos que dependem delas. Com o tempo, isso leva a:

  • Infarto agudo do miocárdio: a hipertensão é o principal fator de risco modificável para infarto
  • AVC isquêmico ou hemorrágico: pressão elevada é a causa mais comum de AVC no Brasil
  • Insuficiência cardíaca: o coração se hipertrofia e perde eficiência ao longo dos anos
  • Doença renal crônica: os rins são muito sensíveis à pressão elevada e perdem função progressivamente
  • Retinopatia hipertensiva: lesão nos vasos da retina que pode levar à perda de visão
  • Demência vascular: múltiplos microinfartos cerebrais silenciosos prejudicam a cognição
  • Aneurisma aórtico: a pressão crônica fragiliza a parede da aorta

Como é feito o diagnóstico de hipertensão?

O diagnóstico exige medições em pelo menos duas visitas médicas diferentes, em dias distintos, com técnica correta. 

Uma única medição alta não fecha diagnóstico, pois a pressão varia ao longo do dia e pode subir temporariamente por estresse, dor ou ansiedade.

Quando há dúvida sobre o diagnóstico ou suspeita de hipertensão do avental branco (pressão que sobe apenas no consultório), o médico pode solicitar a MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial), que registra a pressão a cada 15 a 20 minutos durante 24 horas nas atividades diárias do paciente.

Após o diagnóstico, o médico avalia o risco cardiovascular global, pesquisa lesões em órgãos-alvo e busca causas secundárias por meio de exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, função renal, exame de urina e fundo de olho.

Como tratar a pressão alta?

O tratamento da hipertensão combina mudanças no estilo de vida e, na maioria dos casos, medicação. Não existe tratamento único: a abordagem é individualizada e leva em conta a pressão, os fatores de risco e as condições clínicas de cada paciente.

Mudanças no estilo de vida

São indispensáveis mesmo para quem já usa medicação. As principais:

  • Reduzir o consumo de sódio: a meta é menos de 2 g de sódio por dia (equivalente a cerca de 5 g de sal). Isso inclui o sal adicionado e o sal já presente nos alimentos industrializados.
  • Praticar atividade física regular: 150 minutos por semana de atividade moderada (como caminhada rápida) reduz a pressão entre 4 e 9 mmHg.
  • Perder peso: cada quilo perdido reduz a pressão sistólica em cerca de 1 mmHg.
  • Reduzir o consumo de álcool: o limite recomendado é no máximo uma dose para mulheres e duas para homens por dia.
  • Parar de fumar: o tabagismo não causa hipertensão crônica diretamente, mas aumenta muito o risco cardiovascular e reduz a eficácia dos medicamentos.
  • Controlar o estresse: técnicas de relaxamento, sono adequado e suporte psicológico contribuem para o controle da pressão.
  • Adotar a dieta DASH: rica em frutas, vegetais, grãos integrais e laticínios com baixo teor de gordura, com redução de sódio e gordura saturada.

Tratamento medicamentoso

As principais classes de medicamentos anti-hipertensivos usados no Brasil são: inibidores da ECA (como enalapril e captopril), bloqueadores do receptor de angiotensina II (como losartana), bloqueadores dos canais de cálcio (como anlodipino), diuréticos tiazídicos (como hidroclorotiazida) e betabloqueadores (como atenolol).

A hipertensão é uma doença crônica. O medicamento é usado de forma contínua e não deve ser interrompido sem orientação médica, mesmo quando a pressão estiver controlada. A pressão está controlada precisamente porque o medicamento está sendo tomado.

Aviso importante

As informações deste artigo são educativas e não substituem a consulta médica. O diagnóstico e o tratamento da hipertensão arterial devem ser conduzidos por um profissional de saúde. 

Não suspenda nem altere medicamentos anti-hipertensivos por conta própria. Em caso de crise hipertensiva com sintomas como dor no peito, falta de ar intensa ou confusão mental, busque atendimento de emergência imediatamente.

Agende seu exame e consulta com tranquilidade pela rede AmorSaúde.

Perguntas frequentes sobre pressão alta

Perguntas frequentes sobre pressão alta

O que se sente quando a pressão está alta? Na maioria dos casos, nada. A hipertensão é silenciosa e não causa sintomas na maior parte do tempo. Quando surgem, os mais relatados são dor de cabeça na nuca (especialmente ao acordar), tontura, zumbido, visão embaçada e sangramento nasal. A única forma confiável de saber se a pressão está alta é medir.

Qual é a pressão que pode dar um AVC? Não existe um valor fixo que “causa” o AVC, mas pressão acima de 180×120 mmHg representa risco imediato. No longo prazo, hipertensão crônica mesmo em estágios menores danifica os vasos cerebrais progressivamente e aumenta o risco de AVC. Qualquer suspeita de AVC exige o SAMU (192) imediatamente.

O que fazer quando a pressão está alta? Depende do valor e dos sintomas. Sem sintomas graves: sente, deite, respire devagar e meça novamente em 15 minutos; se já tem medicamento prescrito, tome conforme orientação médica. Acima de 180×120 mmHg ou com sintomas como dor no peito, falta de ar, confusão mental ou fraqueza em um lado do corpo: vá ao pronto-socorro imediatamente.

O que causa pressão alta? Na maioria dos casos, é a combinação de fatores genéticos com hábitos de vida: excesso de sal, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool, tabagismo e estresse crônico. Apneia do sono não diagnosticada também é uma causa frequente e subestimada. Em menos de 10% dos casos, a hipertensão tem causa identificável, como doença renal, alterações hormonais ou uso de anticoncepcionais.

Qual o nível de pressão que é considerado hipertensão? Pressão igual ou acima de 140×90 mmHg, confirmada em consultório em mais de uma medição, em dias diferentes. Valores entre 130 e 139 mmHg na sistólica ou entre 85 e 89 mmHg na diastólica já são classificados como pré-hipertensão pela diretriz brasileira e merecem atenção.

Como baixar a pressão em casa? Medidas que ajudam no controle diário: reduzir o sal na alimentação, evitar ultraprocessados, praticar atividade física regular, manter o peso adequado, limitar o álcool e não fumar. Essas ações complementam o tratamento, mas não substituem o medicamento quando ele é indicado.

Pressão alta tem cura? A hipertensão primária não tem cura, mas tem controle. Com tratamento adequado, a pressão pode ser mantida em níveis seguros por toda a vida, prevenindo complicações. Em casos de hipertensão secundária, tratar a causa pode normalizar a pressão definitivamente.

Posso parar o remédio quando a pressão normalizar? Não. A pressão está controlada porque o medicamento está sendo tomado. Interromper sem orientação médica faz a pressão voltar a subir, muitas vezes de forma abrupta.

Quais alimentos aumentam a pressão? Os principais são ricos em sódio: embutidos (salsicha, presunto, linguiça), enlatados, temperos industrializados, fast food, salgadinhos e queijos curados. O excesso de álcool também eleva a pressão.

Hipertenso pode praticar exercícios? Sim, e é muito recomendado. A atividade física regular reduz a pressão e o risco cardiovascular. O ideal é começar com exercícios aeróbicos de intensidade moderada, como caminhada. Exercícios de alta intensidade devem ser avaliados com o médico antes de iniciar.

Gestante pode ter pressão alta? Sim. A hipertensão na gestação pode ser pré-existente ou surgir após a 20ª semana (pré-eclâmpsia), uma condição grave que ameaça a vida da mãe e do bebê. O acompanhamento pré-natal regular é essencial para detectar e tratar precocemente.

Com que frequência devo medir a pressão? Adultos saudáveis devem medir a pressão pelo menos uma vez por ano. Quem já tem hipertensão deve monitorar com frequência definida pelo médico, que pode ser diária em casos de pressão descontrolada.


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