O Brasil vive um envelhecimento acelerado. Segundo dados do IBGE de 2024, a expectativa de vida do brasileiro chegou a 76,6 anos, com projeção de atingir 83,9 anos em 2070. Quem completa 70 anos hoje, portanto, tem em média mais uma década pela frente e é para viver bem essa fase que a rotina de exames precisa se adaptar.
O que funcionava aos 60 nem sempre serve aos 75. Alguns exames ganham prioridade. Outros perdem sentido. E o olhar médico se torna mais integrativo, considerando não só doenças, mas capacidade funcional, autonomia e qualidade de vida.
Aqui você vai encontrar:
ToggleO que muda nos exames de rotina após os 70 anos?
A ideia central é simples. Aos 60, a maioria dos exames tem foco em prevenção primária, evitar que doenças apareçam. Depois dos 70, a lógica passa a ser prevenção secundária e cuidado integrativo, que envolve controlar doenças que possivelmente já existem, evitar complicações e manter a autonomia funcional.
Isso significa que os exames deixam de ser apenas uma lista padrão e passam a ser escolhidos com base em múltiplos fatores. Histórico pessoal, condições crônicas, medicamentos em uso, capacidade funcional e expectativa de vida individual entram na conta. É por isso que a consulta com o médico se torna ainda mais importante que os exames em si.
Quais exames devem entrar no check-up após os 70 anos?
Alguns exames são comuns a praticamente todos os idosos acima de 70 anos, com adaptações conforme o perfil. O Protocolo de Geriatria do Ministério da Saúde lista como exames essenciais para o idoso: hemograma completo, glicemia de jejum, ureia, creatinina, sódio, potássio, cálcio iônico, colesterol total e frações, triglicerídeos, TGO, TGP, TSH, T4 livre, 25-hidroxi vitamina D, fósforo e vitamina B12.
Hemograma completo
Avalia glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas. Detecta anemia (comum em idosos e frequentemente subdiagnosticada), infecções e alterações que podem indicar doenças hematológicas ou crônicas.
Glicemia e hemoglobina glicada
Monitoram diabetes ou pré-diabetes. Em idosos, as metas de controle glicêmico são ajustadas: nem sempre o alvo é o mesmo dos adultos jovens, para evitar hipoglicemias que podem causar quedas e complicações.
Perfil lipídico
Colesterol total, HDL, LDL e triglicerídeos. Continua importante para avaliação cardiovascular, mas a decisão sobre tratamento medicamentoso após os 70 passa por uma análise mais individualizada de risco versus benefício.
Função renal (creatinina e ureia)
Ganha grande importância nessa fase. A função renal declina naturalmente com a idade, e isso influencia diretamente o ajuste de doses de medicamentos usados no dia a dia.
Função hepática (TGO, TGP e gama-GT)
Importante para monitorar efeitos de medicamentos e detectar doenças hepáticas que podem ser silenciosas.
TSH e função tireoidiana
Alterações da tireoide são muito comuns em idosos e podem se manifestar de forma atípica. Cansaço, confusão mental e ganho de peso podem ser atribuídos ao envelhecimento quando, na verdade, são hipotireoidismo. O exame é essencial nessa fase da vida.
Vitamina D
A deficiência é epidêmica em idosos, especialmente naqueles que se expõem pouco ao sol. Está ligada a fraqueza muscular, quedas, osteoporose e disfunção imunológica. Estudos mostram que a suplementação em idosos deficientes pode reduzir o número de quedas e a mortalidade.
Vitamina B12
A absorção da B12 diminui com a idade e a carência é bem frequente. Uma pesquisa brasileira publicada na SciELO encontrou deficiência de vitamina B12 em 21,5% de idosos institucionalizados, com valores limítrofes em outros 32,3%. A deficiência pode causar anemia, sintomas neurológicos e alterações cognitivas.
Urina tipo I
Detecta infecções urinárias (mais comuns e frequentemente atípicas em idosos), sinais renais e alterações metabólicas.
Eletrocardiograma
Continua obrigatório no check-up anual. Detecta arritmias, sequelas de eventos isquêmicos e alterações que podem passar despercebidas clinicamente.
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Exames específicos que ganham importância após os 70
Alguns exames raramente entram no check-up de adultos jovens, mas são fundamentais para idosos:
Densitometria óssea
Avalia a densidade dos ossos e o risco de osteoporose. A partir dos 65 para mulheres e dos 70 para homens (ou antes com fatores de risco), o exame é indicado periodicamente. Uma osteoporose diagnosticada a tempo pode evitar fraturas graves, que são uma das principais causas de perda de autonomia em idosos.
Avaliação cognitiva
Testes simples como o Mini-Mental ajudam a identificar sinais precoces de declínio ou demência. Detectar alterações cedo permite intervenções que preservam a autonomia por mais tempo. Vale destacar que a deficiência de vitamina B12 pode dobrar o risco de depressão tardia e causar sintomas cognitivos que muitas vezes são confundidos com demência.
Avaliação de risco de queda
Queda é uma das principais causas de perda de autonomia em idosos. O teste “Timed Get Up and Go”, que mede o tempo que a pessoa leva para levantar de uma cadeira, andar 3 metros e voltar, é uma das ferramentas mais usadas para essa avaliação. Também entram nesse pacote a avaliação da marcha, do equilíbrio e a revisão de medicamentos que aumentam risco de queda.
Avaliação nutricional
Perda de peso não intencional em idosos é sinal de alerta e merece investigação. A sarcopenia (perda de massa e força muscular) também deve ser rastreada. Segundo revisão publicada sobre sarcopenia, a prevalência da condição varia entre 1 e 29% em idosos vivendo na comunidade e chega a 33% entre os institucionalizados.
Avaliação auditiva e visual
Perdas sensoriais impactam diretamente a qualidade de vida e o risco de acidentes. Exames simples podem revelar problemas tratáveis, como catarata, glaucoma ou presbiacusia.
Se você quer entender melhor os cuidados específicos com essa fase da vida, o blog da AmorSaúde tem um conteúdo completo sobre saúde do idoso que vale a leitura.
Rastreamentos oncológicos: o que muda após os 70?
Aqui entra um dos pontos mais delicados dos cuidados nessa fase. Alguns rastreamentos de câncer, indicados em faixas mais jovens, podem ser suspensos ou espaçados após os 75 anos, dependendo do estado geral de saúde. Não porque o câncer deixe de ser importante, mas porque:
- Alguns tumores têm crescimento tão lento que dificilmente causariam sintomas em vida
- Tratamentos oncológicos podem ser mais agressivos e mal tolerados nessa faixa etária
- Complicações do rastreamento (biópsias, cirurgias exploratórias) podem trazer mais dano que benefício
A decisão é sempre individualizada, considerando expectativa de vida, estado funcional e os desejos do paciente. Mamografia, colonoscopia e PSA seguem indicados para muitos idosos, mas não como regra automática. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o envelhecimento saudável envolve o equilíbrio entre cuidado ativo e respeito às particularidades individuais.
Polifarmácia: um capítulo à parte
Muitos idosos acima de 70 anos tomam 5 ou mais medicamentos diariamente, o que se chama polifarmácia. Isso aumenta o risco de:
- Interações medicamentosas
- Efeitos colaterais somados
- Quedas por hipotensão ou sonolência
- Confusão mental atribuída erroneamente ao envelhecimento
Por isso, a revisão periódica de medicamentos é parte fundamental do check-up. Exames de rotina ajudam a monitorar efeitos e a suspender medicações que já não trazem benefício. Vale conferir o conteúdo sobre geriatria e cuidados específicos com o idoso para entender melhor.
Cuidar sem burocracia. Nas unidades da AmorSaúde é possível fazer o Combo Idoso com preços acessíveis, agendamento facilitado e todos os principais exames em um único pacote. Cuidar da saúde 60+ ficou mais simples.
Quando procurar um geriatra?
O geriatra é o médico especializado na saúde de pessoas idosas. Enquanto o clínico geral e o cardiologista avaliam sistemas específicos, o geriatra faz o olhar integrativo, considerando a interação entre condições, medicamentos, capacidade funcional e qualidade de vida.
A consulta com geriatra é especialmente indicada em situações como:
- Uso de múltiplos medicamentos
- Quedas frequentes
- Perda de peso não intencional
- Alterações cognitivas ou de memória
- Múltiplas doenças crônicas
- Dificuldade de autocuidado
- Sintomas atípicos ou vagos
Mesmo idosos saudáveis podem se beneficiar do acompanhamento geriátrico anual, que avalia aspectos que outras especialidades não abordam de forma integrada.
Envelhecer bem é uma decisão de rotina
Não existe idade em que “não vale mais a pena cuidar”. Existe idade em que o cuidado precisa ser diferente. Aos 70, aos 80, aos 90, cada década traz suas particularidades. Segundo dados do IBGE, o Brasil já tem mais de 33 milhões de idosos, e essa população dobrou nas últimas duas décadas. Para acompanhar essa transformação demográfica, a saúde precisa mudar o olhar também.
O check-up após os 70 anos é uma dessas ferramentas que fazem a diferença entre envelhecer com autonomia e envelhecer com limitações evitáveis. Não é sobre viver para sempre. É sobre viver bem enquanto se vive.
Você ou alguém que você ama passou dos 70? O Combo Idoso da AmorSaúde reúne os principais exames de rotina em um único pacote, com preço acessível e agendamento sem burocracia.
Perguntas frequentes
Quais exames toda pessoa acima dos 70 anos deve fazer?
Após os 70 anos, os exames de rotina incluem hemograma completo, glicemia, hemoglobina glicada, perfil lipídico, função renal (creatinina e ureia), função hepática, TSH, vitamina D, vitamina B12, urina tipo I, eletrocardiograma e aferição de pressão arterial. Exames como densitometria óssea, avaliação cognitiva, colonoscopia, mamografia e PSA seguem indicados conforme o histórico individual. A rotina deve ser definida pelo geriatra ou clínico geral.
O que muda nos exames de rotina após os 70 anos?
Após os 70 anos, alguns exames ganham prioridade e outros perdem indicação absoluta. Ganham peso: avaliação cognitiva, rastreamento de deficiências nutricionais (vitamina D e B12), risco de queda, função renal e função tireoidiana. Alguns rastreamentos oncológicos podem ser espaçados ou suspensos após certa idade, dependendo do estado geral de saúde. A decisão é sempre individualizada.
Com que frequência idosos devem fazer check-up?
Idosos acima de 70 anos devem fazer check-up completo pelo menos uma vez ao ano, com consultas intermediárias conforme necessidade. Pessoas com múltiplas condições crônicas, como hipertensão, diabetes ou doenças cardíacas, podem precisar de acompanhamento semestral ou trimestral. A frequência ideal é definida pelo médico assistente.
Por que a vitamina B12 é tão importante em idosos?
A absorção da vitamina B12 diminui com a idade e a deficiência é frequente entre pessoas 60+, com estudos brasileiros mostrando prevalência que pode chegar a 40% em idosos institucionalizados. A carência pode causar anemia, sintomas neurológicos, alterações cognitivas e até dobrar o risco de depressão tardia. Por isso a dosagem deve entrar na rotina de exames anuais.
Quando o idoso deve procurar um geriatra?
O geriatra é indicado especialmente para pessoas com múltiplas condições crônicas, uso de vários medicamentos, quedas frequentes, alterações cognitivas, perda de peso ou dificuldades funcionais. Mesmo idosos saudáveis podem se beneficiar do acompanhamento geriátrico anual, que avalia aspectos que outras especialidades não abordam de forma integrada.










