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Novembro Azul: o câncer de próstata e a importância do diagnóstico precoce

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É comum que as campanhas associem cores e meses como uma forma de conscientizar e alertar a população sobre temas importantes. Assim como a saúde mental no Janeiro Branco e o câncer de mama no Outubro Rosa, o Novembro Azul objetiva informar sobre a prevenção do câncer de próstata.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam esse tipo de câncer como o segundo mais frequente entre os homens no Brasil. Nesse contexto, vamos explicar por que e quando o Novembro Azul foi criado e o que as estatísticas apontam sobre a doença. Ainda, saberá como surge o câncer de próstata e quais são os seus fatores de risco e sintomas que exigem atenção especial.

Aproveite a leitura!

O que é o Novembro Azul

A associação de uma cor a um mês foi selecionada como uma ótima ferramenta de marketing para espalhar informações importantes sobre temas da área de saúde, o que é possível constatar com base no sucesso desta e de outras campanhas como esta — por exemplo, o Outubro Rosa.

A boa aceitação dessas iniciativas inspirou a criação de outras, como o Setembro Amarelo, com a prevenção do suicídio, o Maio Amarelo, contra os acidentes de trânsito, e o Junho Vermelho, como incentivo à doação de sangue. Esses são apenas alguns exemplos, visto que certos meses têm, inclusive, mais de uma cor ou campanha.

Mas, afinal, como surgiu o Novembro Azul e qual é a sua relação com o câncer de próstata? Mundialmente, esse tipo de câncer é responsável por diversos óbitos. Por esse motivo, na Austrália, em novembro de 2003, surgiu um movimento chamado “Movember”, que era a junção das palavras em inglês “moustache” — que significa “bigode”, remetendo à figura masculina — e “November”, que quer dizer novembro.

Nesse período, diversos homens deixaram seus bigodes crescerem, a fim de chamar atenção para o cuidado com a saúde masculina e o perigo do câncer de próstata. Devido ao sucesso, vários outros países adotaram o novembro como o mês para a realização das campanhas de prevenção a esse câncer tão comum.

Dessa forma, em 2011, o Instituto Lado a Lado pela Vida criou a campanha que ficou conhecida como Novembro Azul. O principal objetivo é divulgar informações sobre a doença no Brasil e incentivar os homens a realizar a prevenção, visto que os exames físicos específicos — como o toque retal — continuam sendo um grande tabu entre a população.

A importância do Novembro Azul

Segundo o INCA, estima-se que, em 2020, 65.840 novos casos de câncer de próstata serão diagnosticados no Brasil. Em 2018, 15.576 homens foram a óbito devido a essa neoplasia, o que corresponde a cerca de 25% dos pacientes que desenvolvem o câncer de próstata.

Dessa forma, o câncer de próstata é o segundo tipo de tumor maligno mais comum no Brasil, ficando atrás apenas do câncer não melanoma de pele. Em relação à mortalidade, a neoplasia de próstata é o tumor que mais leva indivíduos do sexo masculino a óbito no país.

Apesar desses dados assustadores, o câncer de próstata tem um desenvolvimento lento e demora a dar sinais. Isso significa que o homem que realiza a prevenção rotineiramente descobrirá o câncer no início, enquanto ainda não há sintomas, aumentando a chance de cura e de repercussões negativas para a sua saúde.

Os exames de rastreamento são recomendados a partir dos 50 anos ou acima dos 45 quando há algum fator de risco, como história familiar positiva para câncer de próstata. Isso significa que homens que tenham pais ou avós que tiveram a doença têm uma chance maior de desenvolvê-la. O rastreio é feito, basicamente, pelo toque retal e o exame de PSA, o Antígeno Prostático Específico, que é dosado no sangue.

O problema é que ainda existe um grande preconceito em relação ao exame de toque retal, o que atrapalha a detecção precoce do câncer de próstata, pois os homens evitam esse check-up médico. Acredita-se que isso se deve ao fato de que, ao longo dos anos, a região anal foi associada a relações sexuais promíscuas, atribuídas apenas às relações homoafetivas.

Como a cultura brasileira ainda é bastante machista, a premissa citada está arraigada nos homens, que, muitas vezes, se recusam a realizar o exame como forma de comprovar a sua masculinidade. Além disso, a manipulação da próstata está associada a um risco de disfunção erétil, condição muito temida pelo público masculino, o que não acontece na realidade.

Para que esse preconceito diminua e informações verídicas sejam disseminadas, foi criado o Novembro Azul. Afinal, a divulgação de informações sobre a doença e sua prevenção, assim como campanhas de conscientização, é fundamental para explicar a importância dos exames e os perigos de não se prevenir.

Atividades realizadas no Novembro Azul

Nos postos de saúde, clínicas, consultórios e hospitais, existem várias estratégias de conscientização sobre o câncer de próstata. Entre elas, estão palestras realizadas por médicos e enfermeiros, com orientações sobre como é feito o toque retal, qual é a importância do PSA no tumor maligno de próstata e quais repercussões na saúde esse câncer pode causar.

Nessas palestras, também é fundamental orientar os pacientes sobre quais são os sintomas mais comuns do tumor de próstata e o que fazer caso eles surjam. Além disso, são oferecidas consultas médicas e agendamentos de testes de PSA para os participantes.

Isso é importante porque homens que se recusaram a realizar o exame de toque retal podem ser convencidos, caso o resultado do PSA venha alterado, indicando riscos.

Outra estratégia inclui divulgar informativos, vídeos, esquemas e outros recursos que chamem a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de próstata.

Além do que é realizado no Novembro Azul, é fundamental que médicos, enfermeiros e outros profissionais da área de saúde incentivem as medidas de educação preventiva. O ideal é estimular, rotineiramente, o público que compõe o grupo de risco a realizar os exames de toque e de PSA.

Essa campanha objetiva estimular os homens a cuidar da saúde, mas as mulheres também podem ficar de olho, porque, nesse período, algumas instituições oferecem vagas para mamografia que não foram agendadas no Outubro Rosa.

Assim, nas salas de espera e nas visitas domiciliares, realizadas pelas agentes comunitárias de saúde, há incentivo à marcação de consultas periódicas, que devem ser feitas, no mínimo, uma vez por ano.

Sintomas do câncer de próstata

Geralmente, o câncer de próstata não apresenta sinais ou provoca sintomas em suas fases iniciais. O seu crescimento é lento, podendo levar vários anos para causar algum problema identificável. É por esse motivo que a prevenção, por meio dos testes, é tão importante para diagnosticar o câncer de próstata precocemente.

Quando há sinais de aumento da próstata, devido ao crescimento das células da glândula, há sintomas semelhantes ao da hiperplasia prostática, condição benigna. Nesses casos, há dificuldade para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga, necessidade de urinar várias vezes durante o dia e urina em gotejamento.

Os sintomas relacionados ao câncer de próstata começam a aparecer em diferentes estágios da doença. Isso torna a prevenção ainda mais importante, já que a maior parte dos sinais surge apenas quando já se está em fases mais avançadas.

Nos quadros mais graves, os sintomas mais evidentes são dores ósseas — devido às metástases do câncer de próstata que atingem os ossos —, dor e dificuldade para urinar, presença de sangue na urina ou no sêmen e vontade de urinar com frequência.

Fatores de risco do câncer de próstata

Histórico familiar positivo

Sabe-se que homens que têm pais, tios, avós ou irmãos com câncer de próstata têm uma chance maior de desenvolver a doença. Acredita-se que isso se dê porque o estímulo para a replicação desenfreada das células responde a algum componente genético que pessoas da mesma família compartilham, mas ainda não há comprovações para essa afirmação.

Obesidade e sedentarismo

A obesidade tem algumas relações com o câncer de próstata. Esse é um fator de risco para o diagnóstico precoce, porque o excesso de peso pode dificultar o exame de toque retal. Além disso, a obesidade interfere no comportamento do tumor, que, nesse grupo da população, pode se tornar mais agressivo.

Acredita-se que isso esteja relacionado ao aumento do tecido adiposo, que acontece tanto na obesidade quanto no sedentarismo. Então, ocorrem alterações nos níveis de hormônios, principalmente de testosterona. Isso eleva a quantidade de componentes inflamatórios, criando um ambiente propício para a multiplicação de células tumorais.

Cigarro

Ainda não se sabe se o tabagismo está relacionado intimamente com o surgimento do câncer de próstata. No entanto, sabe-se que a pessoa que fuma expõe o seu organismo a diversos agentes carcinógenos — ou seja, que propiciam o aparecimento e desenvolvimento de câncer.

Além disso, o ato de fumar está relacionado ao prognóstico da doença. Segundo a renomada Universidade de Harvard, nos EUA, homens que fazem uso do cigarro e são afetados pelo câncer de próstata têm uma chance 61% maior de ir a óbito do que aqueles que não se expõem à fumaça do cigarro.

Esse estudo também concluiu que o tumor maligno nos fumantes se desenvolvia mais rapidamente, ou seja, era mais grave no momento do diagnóstico. Essa informação é relevante, uma vez que, como vimos, muitos homens só descobrem o câncer de próstata em estágios avançados. Além disso, o tabagismo aumenta a chance de recidiva da doença.

Idade

O câncer de próstata é mais comum em indivíduos idosos. Dessa forma, a prevenção deve ser iniciada a partir dos 50 anos. Já para pessoas que têm casos de tumor na família, os exames de PSA e toque retal precisam ser feito desde os 45 anos.

Inflamações na próstata

Existem algumas doenças sexualmente transmissíveis que inflamam a próstata, um fator de risco para o desenvolvimento de câncer. É por esse motivo que essas doenças devem ser tratadas precocemente. Além disso, para diminuir a chance de contaminação por vírus e bactérias relacionados a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), é fundamental utilizar preservativo.

Como é feito o diagnóstico precoce e qual é a sua importância?

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O rastreio do câncer de próstata é feito em duas etapas. A primeira delas é o exame físico (toque retal), que é realizado pelo médico e dura menos de 10 segundos. O objetivo do toque é analisar a consistência da próstata, o seu tamanho e se existem lesões palpáveis.

A presença de nódulos na glândula pode ser percebida ao apalpar a região perianal, já que o reto está em contato íntimo com a próstata. Apesar de ser simples e rápido, esse exame ainda gera muita polêmica e é alvo de grande preconceito, sendo, como vimos, o motivo para que muitos homens não procurem ajuda médica.

A segunda etapa do rastreio é o PSA, o chamado Antígeno Prostático Específico. Essa é uma proteína encontrada no tecido prostático e no sangue. Normalmente, o valor de PSA que levanta preocupações é acima de 3 ou 4, exigindo tratamento e acompanhamento médico mais frequente.

O PSA pode estar alterado por vários motivos, como nos casos de hiperplasia prostática benigna, infecções da próstata e, também, quando há tumor maligno. Além disso, um resultado normal de PSA não exclui a possibilidade de câncer. Por isso, é fundamental correlacioná-lo ao que foi encontrado no toque retal.

O rastreamento, feito por meio de exames de PSA e de toque, permite que o tumor seja encontrado em fases iniciais. Felizmente, quando a doença é detectada nas primeiras fases, a chance de cura é maior que 90%.

Dessa forma, o paciente não apenas pode ser curado, como também tem qualidade de vida. Afinal, quando o câncer de próstata se dissemina para regiões próximas, são demandadas medidas radicais.

Se ele se espalhar para os testículos, por exemplo, a retirada é necessária. Sem a testosterona produzida por essas glândulas, o homem fica mais propenso a desenvolver osteoporose e doenças cardiovasculares e a ter dificuldades cognitivas, assim como pode sofrer alterações em sua libido. Por isso, a avaliação precoce é a forma mais segura de evitar preocupações com a saúde.

Além do risco de disseminação do câncer, as cirurgias para retirada total da próstata têm um alto risco de causar incontinência urinária e impotência sexual. Isso acontece porque o tumor de grande tamanho impede a preservação dos feixes nervosos, o que não se daria com tumores de menor tamanho.

Por fim, submeter-se aos testes de rastreamento é importante para evitar as metástases. A metástase óssea, que acontece frequentemente entre as metástases de câncer de próstata, provoca dores e aumenta o risco de fraturas. Portanto, é imprescindível evitar esse estágio avançado da doença. Mas, para isso, é preciso que o tumor seja diagnosticado cedo e tratado corretamente.

Caso haja suspeita de câncer de próstata, os médicos geralmente optam por uma biópsia. Alterações na região, como de consistência e presença de nódulos, além de níveis aumentados de PSA no sangue, levantam a suspeita de uma neoplasia. O procedimento, que é cirúrgico, consiste em retirar pequenos fragmentos da próstata para análise por um patologista.

O exame exige a introdução de um aparelho de ultrassom no canal retal do paciente, o que proporciona a visualização da glândula e a introdução de uma agulha para colher os fragmentos. Para que o profissional possa acertar a região de que será retirada a amostra, utiliza-se a ajuda de exames de imagem.

Ressonância magnética e o diagnóstico do câncer de próstata

Ainda que existam várias formas de diagnosticar o câncer de próstata, há uma gama de estudos e pesquisas sobre o tema, pois essa doença ainda desafia bastante o campo das ciências médicas. Os testes mais utilizados hoje são o exame físico, com o toque retal, e a medição de PSA — as medidas preventivas mais importantes e difundidas no Novembro Azul.

O PSA é, sem dúvida, um marcador muito interessante, pois é um antígeno específico da glândula prostática. Porém, suas alterações não são consequência exclusiva do câncer de próstata, já que ele influencia outros quadros. Exemplos claros são a hiperplasia prostática benigna (crescimento da próstata) e a prostatite (inflamação da glândula).

Assim, o objetivo das últimas pesquisas é encontrar indicadores que possibilitem a realização de uma biópsia mais segura. Nesse contexto, a ressonância magnética tem sido considerada um exame de grande valia, já que permite uma visualização mais direta dos pontos que sugerem gravidade.

Logo, exames complementares, como ressonância da próstata, contribuem bastante para a avaliação do diagnóstico dos tumores prostáticos. Por meio dessa investigação, os médicos conseguem ter uma noção mais clara do quadro geral do órgão, o que permite elevar os níveis de detecção das lesões, principalmente em pacientes com tumores mais agressivos.

Além dos oncologistas, os médicos urologistas — especialistas que cuidam da saúde masculina — também acreditam que exames como ultrassonografia e ressonância surgiram para reduzir as limitações apresentadas pelos métodos de imagem mais comuns. A ressonância torna mais segura a avaliação do nível das lesões, o que é essencial à precisão no diagnóstico de neoplasias prostáticas.

Outra vantagem desse exame é a chance de combinar imagens anatômicas da glândula em estudo com outros tipos de técnicas funcionais. Com a ressonância magnética, o profissional consegue localizar e identificar os pontos de lesão da próstata. Assim, a biópsia pode ser focada na região afetada, o que eleva as possibilidades de resultados mais satisfatórios.

Vale ressaltar que a biópsia é um procedimento invasivo, mas que tem limitações. Quando o médico é guiado apenas pelo ultrassom, ele não vê, com segurança, a área lesionada. Por isso, há o risco de colher fragmentos que não representem as partes mais afetadas pelos tumores.

Essas limitações, portanto, podem gerar um falso diagnóstico. Assim, o uso da ressonância magnética é mais eficaz por dar mais clareza quanto ao real estágio da lesão.

3 dúvidas mais comuns sobre o câncer de próstata

1. Qual é a função da próstata?

A vagina é uma região pouco acolhedora para os espermatozoides, visto que sua superfície tem algumas defesas, como a produção de ácido pelos lactobacilos. Outra proteção é o líquido que lubrifica a vagina no momento da relação sexual, pois ele contém anticorpos e antígenos prontos para destruir qualquer micro-organismo que tente alcançar o útero, sejam bactérias, vírus ou espermatozoides.

Sendo assim, para que o óvulo consiga ser fecundado, é importante que os gametas masculinos superem as barreiras criadas pela vagina. O que facilita o trajeto dos espermatozoides é o sêmen liberado durante a relação sexual. Esse líquido viscoso contém os gametas masculinos, provenientes dos testículos, líquido seminal, produzido pelas glândulas seminais, e líquido prostático, da próstata.

Os líquidos seminal e prostático têm um pH alcalino, o que ajuda a neutralizar a acidez do trato genital feminino que mata os espermatozoides. Dessa forma, sem esses líquidos, os espermatozoides não conseguiriam sobreviver. Além disso, a próstata produz enzimas que tornam o sêmen mais líquido, o que é fundamental para que os espermatozoides se movimentem rapidamente até encontrar o óvulo.

2. O câncer de próstata causa infertilidade?

O câncer de próstata, geralmente, não compromete a fertilidade do homem. Problemas na próstata, como o tumor, podem, isso sim, atrapalhar a produção de líquido prostático, o que causaria um problema para anular a acidez vaginal e para a locomoção dos espermatozoides. No entanto, essa não é uma causa relevante de infertilidade.

Na realidade, o que acontece está relacionado ao tratamento, uma vez que ele é bastante agressivo, sendo que um dos efeitos colaterais é a infertilidade. No caso de cirurgias para retirada do tumor, a próstata e as vesículas seminais são retiradas, e os canais deferentes, que têm como função levar os espermatozoides do epidídimo até a uretra, são suturados, causando uma obstrução.

Dessa forma, ocorre uma azoospermia obstrutiva. Isso significa que o homem ainda produz os espermatozoides, mas eles não saem no sêmen. A boa notícia é que existem métodos de reprodução assistida, que possibilitam retirar os espermatozoides do local em que estão sendo produzidos e implantá-los no útero ou realizar a fecundação para posterior implantação do embrião no útero.

3. O que é vigilância ativa?

Em alguns homens, o câncer de próstata tem um desenvolvimento bastante lento e pode ser somente acompanhado, dispensando, pelo menos a princípio, tratamento com cirurgia. No entanto, isso só pode ser definido pelo médico com base em alguns critérios e no acompanhamento rotineiro.

O acompanhamento é feito dosando o PSA trimestralmente, e é necessário realizar biópsia. Além disso, o toque retal é realizado, e são indicados outros exames, como a ressonância magnética semestral, para detectar qualquer evolução da doença.

Na biópsia da próstata, é ideal que sejam colhidos, no mínimo, 12 fragmentos de locais distintos. Os homens que podem ser incluídos na vigilância ativa são aqueles que apresentam tumores de baixo grau e com menos de 50% de volume na amostra, tendo células tumorais em, no máximo, 3 amostras de 12.

Células diferenciadas observadas pelo patologista indicam menor agressividade, enquanto células indiferenciadas revelam um tumor agressivo e que não pode ser acompanhado por vigilância ativa.

Também é importante que o PSA esteja mais baixo (menor que 10). Outro critério imprescindível é que o tumor não tenha se espalhado para fora dos limites da próstata, visto que, nesses casos, opta-se por cirurgia.

Novas descobertas sobre o tema

De acordo com a proposta do Novembro Azul, os números do câncer de próstata sugerem a necessidade de divulgar informações favoráveis ao controle dos impactos dessa doença sobre a saúde coletiva.

Aproveitando essa ocasião, portanto, listamos algumas das mais relevantes descobertas sobre diagnóstico, tratamento e medidas de prevenção do câncer de próstata. Confira!

Identificação do câncer pelo exame de urina

Uma pesquisa divulgada pelo Jornal da USP — que foi realizada pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) — fez uma interessante descoberta para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Conforme essa pesquisa, é possível verificar a presença do tumor a partir do exame de amostras de substâncias relacionadas à doença na urina do paciente.

Além de aumentar as chances de identificação do diagnóstico de maneira não invasiva, essa técnica permite a avaliação do nível de agressividade do tumor. Considerando que o estadiamento da neoplasia é um dos fatores mais relevantes à determinação do tratamento, essas informações adquirem extrema relevância no controle desse tipo de câncer.

Mesmo que seja uma excelente notícia, essa pesquisa ainda depende de outras etapas para a confirmação das descobertas. Os pesquisadores precisam comprovar, na prática, a eficiência desse novo exame. Além disso, será necessário realizar testes para a verificação dos resultados, critério fundamental à confirmação de um estudo científico.

Assim que forem validadas, tais descobertas contribuirão bastante para melhorar o acesso ao diagnóstico — e de uma forma muito mais prática e barata.

Biópsia dos linfonodos

Esse tipo de exame também é chamado de dissecção linfonodal ou linfadenectomia. O procedimento consiste na remoção de um ou mais linfonodos para verificar a presença de células cancerígenas na linfa, um líquido com função de defesa do organismo. Essa biópsia objetiva investigar se a doença já se espalhou para os linfonodos próximos da próstata.

Geralmente, a retirada de tecido para biópsia é realizada durante a cirurgia de câncer de próstata, quando a glândula precisa ser parcialmente removida. Quando há suspeita de que o tumor se espalhou, o cirurgião retira alguns linfonodos para posterior avaliação. Assim, tanto os linfonodos quanto a próstata serão analisados em laboratórios de patologia.

Às vezes, pode ocorrer a retirada dos linfonodos separadamente da próstata. Nesse caso, o procedimento é feito com a utilização de uma agulha. Para fazer esse exame com precisão, é necessário um exame de imagem para guiar a agulha na direção correta. Os mais comuns, nesses casos, são a ressonância magnética (RM) e a tomografia computadorizada (TC).

Medicamentos para adiar as metástases

Novos estudos, divulgados recentemente pelo Congresso Brasileiro de Oncologia, indicaram a chegada de novos medicamentos no Brasil para o tratamento da neoplasia da próstata. O remédio foi testado em pacientes com a doença em um nível não metastático e apresentou um grande potencial para adiar metástases.

No entanto, a liberação do uso do remédio ainda depende de novos testes, para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorize a comercialização no país. Há uma grande expectativa entre os profissionais da medicina que atuam nesse campo, sobretudo da Oncologia, já que a maioria das mortes por câncer de próstata tem relação com metástases.

Essa importante pesquisa foi feita por oncologistas da universidade francesa de Paris Sud, mas tem apoio de instituições de diferentes países, que também estudam o comportamento do câncer de próstata. A meta do tratamento é evitar a evolução para metástase e, na medida do possível, aumentar a sobrevivência dos pacientes.

Tratamento para câncer de próstata

O tratamento para câncer de próstata é feito com medicamentos e cirurgia. O médico pode optar pela prostatectomia parcial ou radical — ou seja, remoção de apenas uma parte ou de toda a próstata.

Em certos casos, é necessário retirar alguns tecidos vizinhos e outros órgãos, devido à disseminação da doença. Após esse procedimento, podem ser indicadas sessões de quimioterapia ou radioterapia.

Vale destacar, por fim, que a melhor a prevenção é a realização dos exames específicos para o controle da doença: toque retal e dosagem de PSA. Homens a partir dos 45 anos de idade e que tenham algum fator de risco (como histórico familiar positivo para câncer de próstata) e homens a partir de 50 anos em geral não podem ignorar a importância desses exames.

Portanto, o Novembro Azul serve para alertar a população sobre a necessidade de vigilância constante sobre os riscos do câncer de próstata. Igualmente importante é frisar que o público precisa compreender que o cuidado com a saúde do homem é fundamental e, por essa razão, deve estar acima de qualquer preconceito.

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